Agricultores vítimas dos fogos: falhas levam governo a prolongar prazos

Governo admite "anomalias" no sistema que impediram agricultores de se candidatarem à beira do fim do prazo.

O governo confirma problemas nos últimos dias na submissão de candidaturas a apoios do Estado para os agricultores vítimas dos incêndios florestais e decidiu alargar o prazo de candidatura que acabava amanhã, sexta-feira.

A resposta do Ministério da Agricultura foi enviada à TSF depois de uma pergunta do PCP que denuncia vários problemas no sistema de candidaturas.

A situação, segundo os comunistas, afeta o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) e é preocupante porque o prazo de submissão de candidaturas acabaria a 15 de dezembro.

Para o PCP os agricultores não têm culpa que o sistema tenha estado em baixo três dias perto do fim do prazo e não podem ser prejudicados, sublinhando que este processo tem sido bastante confuso desde o início.

O Ministério da Agricultura confirma que "a situação já foi detetada e está a ser corrigida", tendo sido decidido "prolongar o prazo das candidaturas por um período equivalente àquele durante o qual ocorreu a anomalia". A Portaria que muda o prazo por mais 5 dias já seguiu para publicação, mas o executivo sublinha que o problema já tinha sido detetado pelos serviços antes do alerta do PCP.

Ao todo, o Ministério já conta 21.685 candidaturas a estes apoios a agricultores vítimas dos fogos, num total de 62 milhões de euros de apoios públicos.

Burocracia leva agricultores a desistirem

Júlio Ventura trabalha na delegação de Tondela de uma cooperativa agrícola e explica que as últimas semanas têm sido muito agitadas. Só ali os agricultores afetados pelos fogos são cerca de uma centena, mas apenas um décimo já fecharam o processo de candidatura aos apoios do Estado.

Os casos são muitos, as dificuldades várias e a última é informática. No entanto, mesmo sem os problemas informáticos o tempo é pouco e a burocracia complica, com Júlio Ventura a explicar que muitas pessoas "vêm de longe, têm de pagar transportes ou perder um dia de trabalho", pelo que alguns acabam por dizer-lhe: "Se é para isto, para nos darem umas migalhas, esqueça".

O governo prolongou o prazo por mais 5 dias e quem trata das candidaturas admite que é uma ajuda, mas que mesmo assim vai ser muito difícil ter tudo pronto a tempo.

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