Aga Khan em Portugal

Como Aga Khan trouxe o sonho à antiga Curraleira

Paredes meias com a cidade de Lisboa, há um bairro que borbulha vida e esperança. Num lugar onde em tempos existiu um cemitério e até mesmo uma Etar, há hoje uma fábrica de sonhos em mutação e até um festival cultural.

Quem passa pelo antigo bairro da Curraleira por estes dias percebe que longe vão os tempos em que, devido à sua posição geográfica, se dizia que Lisboa vivia de costas para aquele lugar.

E aquele lugar é descrito como tendo sido esquecido por "Deus" e até mesmo pela própria comunidade, dado o historial pouco favorável em tempos. Há até quem diga que nem os autocarros lá iam.

Mas onde há vida há esperança e isso é coisa que não falta nos dias que correm neste bairro - que não é só um bairro - mas uma congregação de quatro encostas: Carlos Botelho, Quinta do Lavrado, Nascimento Costa e Bairro do Horizonte.

Foi ali, com vontade de todos e com a ajuda de outros tantos, que nasceu um sentimento comunitário que procura viver no hoje com os olhos no amanhã, e arrumar um passado que a ser lembrado só mesmo em fotografias.

Essa ajuda chegou, numa fase inicial, através da Santa Casa da Misericórdia, mas tudo viria mudar para melhor com a chegada da Fundação Aga Khan. Presente há oito anos entre a comunidade, esta organização tem assistido e fomentado um crescimento sustentado da comunidade bairrista e, "devagar se vai ao longe", como nos refere Teresa Martins, técnica de desenvolvimento comunitário.

Com a criação de um campo de futebol, de uma mercearia social e de um espaço para eventos, nasce agora também um festival a que se chamou "as costas da cidade", uma iniciativa organizada pelo Fórum Urbano e pela Transformar Talentos em conjunto com a câmara municipal de Lisboa e a própria Fundação Aga Khan, que pretende levar os lisboetas até à Quinta do lavrado e virar a cidade a 180 graus.

Estes projetos que são denominados BIP/ZIP, procuram estabelecer parcerias entre as pessoas das comunidades e as organizações, tendo como pano de fundo a ação e promoção em bairros de intervenção prioritária.

Durante dois dias há música, dança e workshops, com talentos dos 3 aos 90 anos. Tudo feito pela comunidade para a comunidade, são esperadas entre 1500 a 3 mil visitas, com pessoas vindas de outras cidades como Porto e Santarém.

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