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"É fácil ser vítima de um cibercrime." A lista de conselhos da PJ que o ensina a defender-se

Cuidado com as redes wi-fi públicas, os amigos das redes sociais nem sempre são "amigos" e as fotografias de crianças na internet são um perigo real. A Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime da PJ faz dois anos e deixa conselhos para evitar ser vítima.

A Polícia Judiciária já investigava crimes na Internet, mas a ameaça crescente levou à criação da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e a Criminalidade Tecnológica há dois anos. Uma equipa especializada, com profissionais de diferentes áreas, que tentam combater um tipo de crime frequente com a expansão da Internet e das redes sociais.

Em entrevista à TSF, Carlos Cabreiro, diretor desta unidade da Polícia Judiciária, lembra que os inspetores estão sempre numa "corrida contra o tempo" em permanente atualização, numa área em que a todas as horas há novidades. "O criminoso tende a estar sempre um passo à frente da polícia", lembra o responsável, que recorda que este é um universo diferente, onde até a constituição de prova apresenta outros desafios.

Carlos Cabreiro, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da polícia Judiciária

"Estamos num espaço onde não existem fronteiras e onde o conceito de cooperação é intrínseco à própria Internet, mas a cooperação tem limitações - há a questão da autonomia e da independência dos Estados"; para além de que as próprias provas são voláteis.

Os comportamentos de prevenção são, por isso, essenciais. Se é verdade que "é fácil ser vítima de um cibercrime", como salienta Carlos Cabreiro, os cuidados dos utilizadores evitam muitos problemas.

O diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime lembra, por exemplo, a questão da utilização de redes wi-fi abertas, cada vez mais disponíveis no espaço público. "Precauções redobradas, consciência do local onde estamos e evitar o acesso a informação sensível porque pode existir o uso indevido de alguém que também está a usar aquela rede."

Por exemplo, nos pagamentos bancários. Carlos Cabreiro explica que há uma forte aposta dos bancos na questão da segurança, mas "há determinadas situações em que os pagamentos podem ser debilitados". Ter atenção à privacidade da rede de Internet que está a ser utilizada e aos acessos - quer com os softwares usados, quer com o computador em que se fazem pagamentos e até mesmo com as passwords.

E se falamos de passwords, há a questão do e-mail. Sim, a palavra-passe deve ser alterada regularmente, mas, mais do que isso, não deve ser usada sempre a mesma, nem para redes sociais diferentes. "Um sistema, uma password", defende Carlos Cabreiro.

Há ainda a questão das fotografias de crianças nas redes sociais. "O conceito de amigo na rede social tem de ser encarado de forma diferente. Nada garante se é mesmo um amigo real que está atrás do computador. O abuso sexual de crianças online é uma preocupação". Facilitar não é uma opção.

No ano passado, a Polícia Judiciária investigou 9.819 casos. Em dois anos de funcionamento desta unidade, o diretor Carlos Cabreiro faz um balanço positivo. Perante uma criminalidade em crescendo, [a unidade] "tende a colmatar a investigação do cibercrime e permite uma melhor coordenação nacional sobre o combate a este tipo de crime".

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