Francisco Ribeiro Telles é o novo secretário-executivo da CPLP

É a primeira vez que Portugal assume o secretariado-executivo, o principal órgão executivo da organização. Mobilidade e projeção da língua portuguesa são as prioridades de Francisco Ribeiro Telles.

Francisco Ribeiro Telles quer tornar a CPLP num espaço de verdadeira cidadania. Para isso, considera que é preciso apostar em parcerias que permitam uma maior mobilidade dos cidadãos, apesar da distância entre os países membros.

O diplomata dá como exemplo o que aconteceu na União Europeia, com o programa Erasmus e o Espaço Schengen, apesar de reconhecer as devidas diferenças, nomeadamente geográficas.

O novo secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa afirmou, em declarações aos jornalistas após a tomada de posse em Lisboa, que a mobilidade académica e cultural deve ser o ponto de partida de um processo difícil de facilitação da livre circulação de pessoas no espaço lusófono.

Francisco Ribeiro Telles defende ainda que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) deve fazer parcerias com organizações internacionais para acompanhar a expansão do Português no mundo. E sublinhou que o Português é uma das línguas com mais expansão no mundo.

O diplomata quer também recuperar uma ideia antiga da comunidade que tem ficado na gaveta. Francisco Ribeiro Telles acrescenta à lista de objetivos a questão dos oceanos com a criação de um centro de estudos marítimos da CPLP.

Francisco Ribeiro Telles tomou este sábado posse como secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), sucedendo no cargo a Maria do Carmo Silveira. O diplomata era embaixador de Portugal em Itália, e assume a pasta para o biénio de 2019 e 2020. O diplomata tem um percurso de 16 anos como embaixador em países da CPLP.

O embaixador português Francisco Ribeiro Telles foi eleito para o cargo de secretário-executivo pela XII conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, em julho de 2018, em Santa Maria, ilha do Sal, Cabo Verde, e sucede à são-tomense Maria do Carmo Silveira.

Mobilidade no espaço lusófono é objetivo dificil de atingir

O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que facilitar a livre circulação de pessoas no espaço lusófono não é um objetivo "fácil de atingir porque a realidade é bastante complexa".

Augusto Santos Silva, à margem da tomada de posse de Francisco Ribeiro Telles como secretário-executivo da CPLP, disse que a complexidade do tema levou a CPLP a iniciar a discussão na cimeira de Brasília em 2016, tendo, no ano seguinte, Cabo Verde e Portugal tomado a iniciativa de apresentar uma proposta conjunta de um regime de mobilidade interna.

"Essa proposta foi examinada pelos Estados-membros e, na última cimeira, no Sal, [Cabo Verde], realizada em julho de 2018, os chefes de Estado e do Governo deram um mandato ao secretário-executivo para prosseguir com o trabalho técnico necessário", acrescentou.

Para Augusto Santos Silva, Ribeiro Telles terá como principal desafio "cumprir o programa da presidência Cabo-verdiana", sendo necessário fazer avanços no "domínio da projeção internacional da CPLP e no domínio de uma presença ativa em agendas multilaterais tão importantes como a dos oceanos".

O ministro dos Negócios Estrangeiros destacou ainda o conhecimento e a competência do embaixador, que sucede à são-tomense Maria do Carmo Silveira, para um mandato de dois anos. "Escolhemos um dos nossos melhores embaixadores, que [chefiou] a missão diplomática portuguesa em três distintos países - Cabo Verde, Angola e Brasil -, portanto, conhece melhor do que ninguém a realidade da CPLP ", concluiu.

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