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Dez formandos da GNR terão sido espancados. Governo ordena inquérito

Episódio terá ocorrido no módulo de treino de combate com bastão.

O Ministério da Administração Interna ordenou este domingo à Inspeção Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito sobre o alegado espancamento de dez formandos da GNR em treinos num curso em Portalegre.

Numa nota enviada às redações, o ministério refere que o inquérito visa o "apuramento dos factos e determinação de responsabilidade" sobre o caso, noticiado hoje pelo Jornal de Notícias.

Segundo o ministério, a confirmarem-se, estes factos "não são toleráveis numa força de segurança num Estado de Direito democrático".

No comunicado, o ministério acrescenta que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, "pediu esclarecimentos ao Comando Geral da GNR sobre os factos descritos na notícia".

A GNR já confirmou a "ocorrência" numa ação de formação de dez formandos. "Confirmamos a ocorrência e que foi determinado um processo de averiguações, que não está concluído", afirmou à agência Lusa o porta-voz do Comando Nacional da GNR, Hélder Barros.

O módulo de combate com bastão

O exercício, segundo explica o JN , consiste num combate de dois minutos com o chama red man - homem-vermelho - um formador equipado com luvas de boxe, chumaços, caneleiras e capacete.

Os oponentes são os recrutas, de calças e t-shirt, que empunham um bastão extensível em PVC revestido a esponja.

Segundo revelou uma fonte ao JN, perto de 10 guardas provisórios foram espancados durante este exercício, com gravidade suficiente para necessitarem de assistência hospitalar. Num primeiro momento, foram encaminhados para o hospital de Portalegre, seguindo depois para o São José, em Lisboa.

As lesões incluem narizes partidos, fraturas nos dedos das mãos e até um caso de lesões oculares com perigo de perda de visão.

Há ainda quem não tenha ido à enfermaria por receio de chumbar no curso, como é o caso de algumas mulheres recrutas, que foram alvos de socos na cabeça e empurrões.

A mesma fonte garante que esta é a primeira vez que ocorrem episódios deste género nos cursos de formação da GNR.

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