
Ru Manuel Fonseca/Global Imagens
Dos 40 meios aéreos num concurso público urgente, júri apenas tem propostas para 12 aviões dado o orçamento disponível. Ficam a faltar 28 helicópteros que vão ter de ser encontrados muito perto da época quente.
Depois do falhanço do primeiro concurso, o novo concurso urgente para contratar 40 meios aéreos para combater os incêndios voltou a ficar muito longe dos objetivos do Governo.
O relatório preliminar do concurso, assinado pela Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna, com data desta quarta-feira, a que a TSF teve acesso, revela que o júri apenas propõe o aluguer de 12 dos 40 meios aéreos pretendidos.
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Dos nove lotes em cima da mesa, só quatro serão adjudicados. Os restantes lotes não ficaram vazios, mas as empresas que se apresentaram fizeram propostas por valores superiores e em alguns casos mesmo muito acima daquilo que o Governo quer gastar.
Das propostas aceites pelo júri fica encaminhada a contratação de 8 aviões anfíbios médios e dois aviões anfíbios pesados, bem como dois aviões ligeiros de coordenação.
O Governo ainda não conseguiu, no entanto, alugar, pelos preços que apresentou, cinco lotes de um total de 28 helicópteros ligeiros.
Várias fontes do setor sublinham que estes sucessivos falhanços nos concursos de meios aéreos (o primeiro tinha ficado quase vazio) vão encarecer bastante a fatura do Estado pois à medida que o verão se aproxima os meios aéreos vão ficando mais caros pois não é só Portugal a querer contratá-los para combater fogos no verão.
Dos lotes de meios aéreos ainda sem propostas vencedoras, pelas contas da TSF aos números no relatório preliminar do concurso, o Governo pretendia gastar quase 16 milhões de euros, mas as propostas que apareceram obrigariam o executivo a gastar cerca de 26 milhões.
Em dois lotes de helicópteros ligeiros, o preço mínimo apresentado pelas empresas com valores mais baixos ronda mesmo o dobro daquilo que era o preço máximo.
Sem contar com os Kamov que por esta altura estão todos parados, dos 50 meios aéreos que pretendia, o Governo tem por esta altura assegurados 10 helicópteros ligeiros, 8 aviões anfíbios médios e 2 aviões anfíbios pesados, bem como 2 ligeiros de coordenação, ficando a faltar mais de metade, ou seja, 28 helicópteros ligeiros.
O executivo já admitiu avançar para ajustes diretos, um passo que parece inevitável depois de não ter conseguido contratar todos os meios que queria em dois concursos públicos.