Sociedade

Jovens arquitetos transformam Amarante sem tiques, nem modas

Um grupo de alunos finalistas da Faculdade de Arquitetura do Porto migrou durante cinco dias para Amarante. Foi lá que colocaram em prática os ensinamentos e projetaram soluções para locais subvalorizados da cidade.

Sara e Raquel escutam Vítor com atenção. Rodeados de esquissos, lápis, tesouras, apontamentos, computador são um dos nove grupos de alunos finalistas da Faculdade de Arquitetura do Porto, que têm Amarante nas mãos e na mente. "Temos aqui a planta de Amarante. Vamos ver quais são as vias principais e que soluções podem ser encontradas para os problemas da cidade".

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O exercício é reinventar locais subvalorizados. Teresa Calix, professora na área de projetos urbanos, apresenta o desafio, "que nos foi colocado pela autarquia. Temos sete áreas de trabalho, duas vias de grande circulação e pequenos espaços dentro da cidade".

O grupo de Vítor Almeida fez trabalho de campo, ou seja, escutou e observou as necessidades da população de Amarante. Na fase seguinte estudam uma resposta, "sem tiques nem modas. Isso é muito fácil... Recorrer a coisas generalizadas. Há que respeitar as características e a identidade dos lugares".

O desafio tem o prazo de cinco dias. Pressionados pelo tempo, Raquel Matos sublinha o desafio em contra-relógio. "É um bom exercício, porque nos tenta moldar, obriga-nos a tomar decisões rapidamente".

Rui Mealha distribui conselhos e dicas. O professor da Faculdade de Arquitetura do Porto supervisiona o exercício que põe à prova várias escalas, intensidades e velocidades. Trabalhar a cidade de Amarante, não é mais fácil, devido à sua dimensão.

"Tanto é bom começar com exercícios com muita ou pouca complexidade. É errado pensar que aqui é mais fácil".

Luís Silva é o mais expressivo do seu grupo. O aluno de Erasmus não aposta em mudanças radicais. Devolver Amarante aos seus habitantes passa, apenas, por alguns reajustes que fomentem uma vivência coletiva dos espaços.

"Notámos que há uma vivência muito individual da cidade. Nós queremos devolver o espaço público às pessoas".

Pedro Guedes e Artur Ribeiro trabalham em dupla. Frente a frente discutem o problema de estacionamento desordenado. Para estes alunos, a cidade é, antes de mais para as pessoas. " A inovação é importante, porque a sociedade tem de se adaptar às necessidades das pessoas. A Arquitetura são pessoas".

Resolver problemas concretos e apresentar soluções rapidamente. O exercício em Amarante está prestes a terminar. Quando regressarem ao Porto, os alunos finalistas da Faculdade de Arquitetura alteram o ritmo para se dedicarem ao trabalho dos últimos meses e que ainda vai a meio.