Mais do que excelente, relação entre Angola e Portugal pode ser "excecional"

Ultrapassado o "irritante", a visita do presidente angolano a Portugal ocorre depois reposto um quadro normal de relações entre Lisboa e Luanda. A relação entre os dois países irmãos nunca teve problemas, assegura Santos Silva, mas pode melhorar.

Augusto Santos Silva olha com expectativa para o a visita de três dias do presidente de Angola a Portugal. Se a relação entre os dois países já era excelente, diz, tem potencial para passar a ser excecional.

"Temos todas as condições para que o relacionamento bilateral seja excecional", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros esta quinta-feira na TSF.

Portugal e Angola são países irmãos, "gémeos siameses", reforça, como já tinha dito na TSF. Augusto Santos Silva garante que "do ponto de vista político diplomático as relações nunca estiveram senão normalizadas".

O caso que envolve Manuel Vicente no âmbito da Operação Fizz podia ser "irritante", e só esfriou depois de o Ministério Público português ter enviado para a justiça angolana o processo em que o antigo vice-presidente de Angola é acusado de corrupção e branqueamento de capitais, mas tratou-se de uma questão judicial, não diplomática.

"Havia uma questão que extravasava o domínio político, mas no domínio político diplomático, no domínio do relacionamento bilateral, no domínio do relacionamento entre estados as coisas sempre estiveram bem", assegura Santos Silva.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Nesta visita de Estado "o momento mais nobre, para além do encontro entre os dois presidentes, é o discurso na assembleia da República", mas há outro compromisso na agenda a destacar.

"Para mim o momento mais alto é a visita hoje mesmo do presidente de Angola ao nosso Instituto Nacional de Investigação Agrícola e Veterinária, porque demonstra bem a importância que Angola dá à substituição de importações no domínio alimentar e aquilo que Portugal pode oferecer."

Também a certificação pelo Governo angolano de dívidas de 200 milhões de euros às empresas portuguesas, tendo já sido regularizados 100 milhões de euros, é "assinalável".

"Este é um processo complexo, mas está em curso", destaca Santos Silva. E há três mecanismos possíveis para regularização dos pagamentos: "Pagar em dinheiro, pagar em títulos de dívida ou pagar por acertos fiscais, em que as empresas podem formar créditos para futuros pagamentos fiscais."

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, inicia na quinta-feira a sua primeira visita de Estado a Portugal. O programa prevê, durante três dias, deslocações ao Porto e à base naval do Alfeite, além de Lisboa, sendo a primeira visita oficial a Portugal de um chefe de Estado angolano em praticamente dez anos.

A visita de Estado começa com cerimónias militares em Belém, onde João Lourenço é recebido, ao fim da manhã, por Marcelo Rebelo de Sousa. Às 15h00 o presidente angolano e o presidente da Assembleia da República discursam numa sessão solene em São Bento, e mais tarde, nos Paços do Concelho, João Lourenço recebe, das mãos de Fernando Medina, as chaves da cidade de Lisboa.

Além do chefe de Estado e da primeira-dama, Ana Dias Lourenço, a delegação angolana integra vários ministros, com a perspetiva de assinatura de acordos bilaterais.

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