
epaselect epa06608467 Portugal's President Marcelo Rebelo de Sousa (2-R), accompanied by the president of Foundation of Lisbon's Islamic Community, Abdool Magid Vakil (R), is greeted as he arrives for the commemorations of the 50th anniversary of the Foundation of Lisbon's Islamic Community, in Lisbon, Portugal, 16 March 2018. EPA/MARIO CRUZ
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"O Islão está na alma de Portugal", afirmou o chefe de Estado o Presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa condecorou esta sexta-feira a Comunidade Islâmica de Lisboa, com a Ordem da Liberdade, numa cerimónia em que se assinalaram os seus 50 anos.
"O Islão está na alma de Portugal", afirmou o chefe de Estado, à entrada para esta cerimónia, que contou com a presença do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e os antigos presidentes da República António Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Cavaco Silva.
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Mais tarde, numa intervenção de dez minutos, Marcelo Rebelo de Sousa retomou esta mensagem, declarando: "Podemos, de quando em vez, não ter a consciência da profunda herança deixada pelos árabes na sociedade e na cultura portuguesa, mas ela foi e continua a ser muito importante".
"Fernando Pessoa referia que a alma árabe é o fundo da alma portuguesa, o que vai muito além de um conjunto de palavras de raiz árabe existente no nosso léxico", prosseguiu, recebendo palmas.
Segundo o Presidente da República, "com efeito, a presença árabe e a herança islâmica permitiram que se desenvolvesse um espírito ecuménico e de abertura entre os portugueses, que resulta de uma convergência de diferentes culturas e credos".
O chefe de Estado defendeu que o princípio da liberdade religiosa consagrado na Constituição está "irreversivelmente enraizado" na sociedade portuguesa.
"Negá-lo é negar a nossa natureza", considerou.
Depois, elogiou a Comunidade Islâmica de Lisboa, "a primeira comunidade islâmica na Península Ibérica após a retirada dos árabes deste canto da Europa".
Marcelo Rebelo de Sousa apontou-a como "um exemplo importante" num mundo "onde grassam exemplos de incompreensão pelo próximo, que levam a extremismos e violência", por colocar "a tónica numa mensagem de paz, de abertura, de diálogo e de ecumenismo" e atuar "de forma concreta e empenhada na resolução de problemas sociais", e disse esperar que assim se mantenha.
"Saibamos todos nós transmitir às futuras gerações estes valores humanistas que são, por natureza, os valores do Islão. Saiba a Comunidade Islâmica de Lisboa continuar a promover estes mesmos valores e consigam as futuras lideranças da comunidade respeitar e prosseguir o legado dos seus fundadores", acrescentou.
O Presidente da República manifestou o desejo de que, em 50 anos, o centenário desta comunidade seja festejado "com o mesmo entusiamo pela mensagem de diálogo, ecumenismo, dádiva e paz, no fundo, de liberdade religiosa, de liberdade como um todo, que caracteriza o Islão em Portugal, e que bem legitima a condecoração desta instituição com a Ordem da Liberdade", e terminou o seu discurso em árabe: "Que a paz e a bênção de Deus estejam convosco".
A Ordem da Liberdade destina-se a distinguir "serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e à causa da liberdade".