Lisboa

​​​​​​​Motim no EPL terminou. O elogio aos guardas, as razões dos reclusos e o apelo aos familiares

Em declarações à TSF, diretor dos Serviços Prisionais diz compreender revolta dos reclusos, mas acrescenta que não pode ceder a situações de violência.

Reclusos do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) amotinaram-se, esta noite, apurou a TSF. As razões do motim estão relacionadas com as últimas greves dos guardas prisionais, uma vez que os reclusos não podem contactar as famílias nesses dias.

Em comunicado, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais informa que para conter a rebelião que eclodiu no Estabelecimento Prisional de Lisboa "foi colocado de prevenção o Grupo de Intervenção e Segurança Prisional, mas não chegou a ser necessária a sua atuação.

Posteriormente, em declarações à TSF, o Diretor-Geral dos Serviços Prisionais esclarece que as visitas ao Estabelecimento Prisional tiveram de ser canceladas devido a um plenário convocado pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional.

"Não posso deixar de censurar os presos pela atitude que tiveram. Embora compreendendo a génese do problema, obviamente o que eles fizeram não está correto", disse Celso Manta, que adiantou ainda que os responsáveis "serão alvo de um processo disciplinar".

Os Sapadores Bombeiros de Lisboa e os Voluntários de Campo de Ourique foram chamados mas não entraram no local.

Já Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, explicou à TSF que, "pouco depois da hora do encerramento, que se inicia pelas 19h00, elementos do corpo da guarda prisional que exercem funções no EP Lisboa foram contactados pela chefia, e concretamente pelo comissário prisional, para se apresentarem todos no estabelecimento por problemas que estavam a acontecer na ala B". O sindicato soube ainda que o comissário solicitou também junto da direção-geral a intervenção do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional, ou seja o Grupo Operacional do Corpo da Guarda Prisional.

Problemas com passado

O sindicalista explica que tem informação de que os reclusos se "recusaram a ser fechados", logo após a refeição. "O jantar foi por volta das 18h00 e os desacatos terão acontecido na altura do encerramento, onde os reclusos são fechados nas celas. A partir daí desenvolveu-se todo o problema, a recusa dos reclusos, e vandalizaram também o pavilhão, utilizando os caixotes do lixo para o efeito e atiraram coisas do terceiro andar para o rés do chão", explicou.

"Não tem muito tempo estes reclusos vandalizaram o refeitório, o pavilhão e agora voltam a vandalizar e a recusar-se ser fechados. Ainda há menos de um mês estes reclusos se recusaram a ser fechados durante um fim de semana e brigaram a diretora a ir ao EP para conversar com eles, portanto tem sido já frequente esta situação", recorda Jorge Alves.

Celso Manata, diretor dos serviços prisionais, desvalorizou o que aconteceu esta noite na ala B do EPL e admitiu, em declarações à CMTV que foram disparadas balas de borracha para controlar o motim, "um procedimento normal quando um grupo de três ou quatro reclusos não obedecem às ordens".

O responsável pelo estabelecimento prisional garantiu ainda que os bombeiros não foram chamados pela prisão, já que os focos de incêndio foram apagados pelos guardas prisionais.

Razões para o motim

A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais garantiu, em comunicado enviado à TSF, que os reclusos se recusaram a ser fechados nas celas em protesto com cancelamento das visitas aos reclusos previstas para amanhã, devido à "marcação de um plenário de guardas prisionais convocado pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional".

Os responsáveis garantem que os meios atuaram como previsto e que o Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP) foi apenas colocado de prevenção mas não chegou a atuar. Os reclusos foram fechados nas celas por volta das 20h15, "não havendo, neste momento, registo de feridos quer entre guardas prisionais, quer entre reclusos".

Familiares preocupados aguardam na rua

Depois de terem tido conhecimento do motim, dezenas de familiares dos reclusos deslocaram-se ao Estabelecimento Prisional de Lisboa. Em declarações ao repórter da TSF, Filipe Santa-Bárbara, os familiares mostraram-se preocupados com a situação.

"Estou preocupada, ver fogo e tudo o que se passava lá dentro, sou mãe, é natural que esteja preocupada", disse uma familiar de um recluso. Em resposta à angústia das pessoas que estavam à porta do EPL, o Diretor-Geral dos Serviços Prisionais explicou descansou os familiares dos reclusos.

"As pessoas estão bem. Felizmente ninguém ficou ferido gravemente, não tenho notícia disso, nem do lado dos guardas e dos reclusos", frisou Celso Manata.

Leia o comunicado na íntegra:

"Alteração à Ordem no Estabelecimento Prisional de Lisboa A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais informa que hoje, em virtude das visitas aos reclusos, previstas para amanhã, terem sido canceladas devido à marcação de um plenário de guardas prisionais convocado pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, um grupo de reclusos da Ala B do Estabelecimento Prisional de Lisboa recusou-se, ao final da tarde, a ser encerrado, tendo destruído alguns bens das celas e queimado colchões e caixotes do lixo.

Nesta medida foi necessário determinar a intervenção dos guardas do Estabelecimento Prisional de Lisboa que tiveram de usar os meios previstos para estas situações de reposição da ordem. O Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP) foi colocado de prevenção, não tendo, contudo, sido necessária a sua intervenção.

A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais informa que os reclusos se encontram encerrados nas celas desde cerca das 20 horas e 15 minutos, não havendo, neste momento, registo de feridos quer entre guardas prisionais, quer entre reclusos.

Lisboa, 4 de dezembro de 2018"

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