Basílio Horta

"Não havendo serviços mínimos na greve dos comboios, é um caos em Sintra"

Basílio Horta pede que o Tribunal Arbitral repense a decisão de não haver serviços mínimos na greve e deixa um alerta aos sindicatos e governo.

O presidente da Câmara de Sintra está revoltado com a greve dos comboios que, amanhã, vai deixar sem transporte uma grande parte da população residente no concelho. Assim, Basílio Horta pede ao Tribunal Arbitral que repense a decisão e que defina serviços mínimos.

O autarca recorda que há "25 mil cidadãos que se deslocam todos os dias de comboio para Lisboa" e, "não havendo serviços mínimos, é um caos". "Da última vez que houve uma greve sem serviços mínimos, as pessoas demoraram 45 minutos só para sair da freguesia onde estão. Não tem sentido", recorda o presidente.

Basílio Horta não compreende porque não são fixados serviços mínimos para a greve de comboios e garante que, mesmo a pouco tempo da greve, tem de se fazer algo. "Com certeza [que Tribunal Arbitral] devia repensar esta decisão e, no mínimo, fixar serviços mínimos", frisou.

"O impacto é de tal maneira negativo que o mínimo de responsabilidade obriga a repensar", acrescenta.

O presidente da Câmara confessa que está revoltado e assegura que "esta greve só prejudica as pessoas, não prejudica mais ninguém", o que o leva a deixar um alerta: "Faço um apelo muito sério aos sindicatos e ao governo para se sentarem à mesa e negociarem".

Também a Área Metropolitana de Lisboa considera inaceitável a decisão do Tribunal Arbitral, que não decretou serviços mínimos para a greve da CP, da Infraestruturas de Portugal e da EMEF, por acreditar que as perturbações previstas põem em causa um dos mais elementares direitos dos cidadãos. Como tal, os autarcas defendem que deveriam ter sido decretados serviços mínimos, sem prejudicar o direito à greve.

Contactado pela TSF, o juiz presidente do Tribunal Arbitral sublinha que a decisão foi tomada por "unanimidade com os árbitros dos sindicatos e empregadores" e que, se há discordâncias, deve recorrer-se aos tribunais.

Jorge Bacelar Gouveia recorda, num breve contacto com a TSF, que "a greve é sempre um direito que causa perturbação, mas está na Constituição e os serviços mínimos são excecionais". Ainda assim, Jorge Bacelar Gouveia não quis prestar declarações gravadas, por se encontrar fora do país.

A CP voltou a emitir, já esta tarde, uma nova nota a avisar para as fortes perturbações previstas para sexta-feira, com supressão e atraso de comboios.

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