"O ICNF não resolve os problemas da floresta"

Aquela que foi a primeira coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, Helena Freitas, considera que o ICNF não tem capacidade para ajudar a floresta naquilo que ela precisa.

Na Emissão Especial da TSF sobre os incêndios de 15 outubro, em direto da Lousã, Helena Freitas, especialista em Ecologia, defendeu que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) é uma "entidade híbrida e inadequada", incapaz de resolver os problemas da floresta.

A professora da Universidade de Coimbra acusa a entidade de fazer "vigilância mínima" e "desajustada da realidade" e fala na necessidade de um serviço "orientado para as múltiplas funções da floresta", o que, garante, não acontece.

Helena Freitas, que é presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia e vice-presidente da Federação Europeia de Ecologia, já assumiu funções como presidente da Liga para a Proteção da Natureza e como provedora do Ambiente e Qualidade de Vida de Coimbra.

Em março do último ano foi convidada por António Costa para coordenar a Unidade de Missão para a Valorização do Interior, que deixou em julho deste ano, depois dos incêndios de Pedrógão Grande. Queixa-se de falta de apoio e vontade política para mudar a floresta.

"O Estado não está presente", afirmou Helena Freitas, na emissão da TSF.

"Só despertámos para os problemas da floresta porque os incêndios entraram pelas cidades"

Para a especialista, o primeiro problema do território interior prende-se com a conservação da natureza. A presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia garante que o estado do território tenderá a piorar, uma vez que a floresta regenerada, depois do fogo, é mais degradada e suscetível às chamas.

Para além disto, há que apoiar as comunidades rurais, que foram "abandonadas", defende Helena Freitas.

Dado que cerca de 97% explorações agrícolas portuguesas são de base familiar, para a especialista é preciso mais apoio e incentivos aos proprietários destes terrenos.

"O quadro geral é de perda de expectativa", assegurou. "Só despertámos para os problemas da floresta porque os incêndios entraram pelas cidades".

Seis meses depois da tragédia de Pedrógão Grande e dois meses depois dos incêndios de outubro, a TSF parte para a estrada e percorre as zonas mais afetadas pelas chamas. Veja aqui todos os trabalhos desta emissão especial.

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