Operação Marquês

Ao fim "destes anos todos", o Ministério Público "não tem provas, nem factos"

A defesa de José Sócrates manifestou ao Ministério Público e ao juiz Carlos Alexandre oposição às conexões processuais destinadas juntar segmentos do caso PT/GES ao inquérito Operação Marquês.

A revelação foi feita em conferência de imprensa, em Lisboa, pelos advogados João Araújo e Pedro Delille, a propósito dos últimos desenvolvimentos ocorridos na investigação da Operação Marquês.

João Araújo referiu que só na semana passada é que os advogados do antigo líder do PS foram notificados da decisão, no início de agosto, dos procuradores do processo de apensar à Operação Marquês parte ou segmentos da investigação relacionada com o investimento da PT (900 milhões de euros) em papel comercial (Rioforte) do Grupo Espírito Santo.

"Estas apensações são absolutamente ilegais e descabidas", criticou João Araújo, considerando aque as mesmas, além de "nulas", violam também as "decisões hierárquicas" da Procuradora-Geral da república (PGR) quando decidiu prorrogar o prazo para a conclusão do inquérito da Operação Marquês.

Em seu entender, a estratégia do MP de embrulhar na Operação Marquês factos relativos ao caso PT/GES, que envolve os antigos administradores da operadora de telecomunicações Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, demonstra que, ao fim de "destes anos todos", o MP "não tem provas, nem factos" contra o antigo primeiro-ministro.

João Araújo argumentou ainda que a apensação de segmentos do caso PT/GES à Operação Marquês visa unicamente "manter vivas" imputações contra José Sócrates, que mais não são que um "processo político contra o ex-primeiro-ministro" e o seu governo de então.

Reiterou ainda que José Sócrates nada teve a ver com os negócios da PT e que os mesmos ocorreram já depois de ele ser chefe do Governo.

Por seu lado, Pedro Delille considerou que a intenção do MP ao juntar segmentos do processo PT/GES à Operação Marquês é a de evitar que "se esclareça a verdade", alertando ainda para a "violação clara da lei" que configura a inquirição como testemunhas na Operação Marquês de arguidos e testemunhas que pertencem a outro processo.

Só o apenso principal do caso PT trouxe mais de 3.000 folhas à Operação Marquês, indicou Pedro Delille, insurgindo-se contra a construção de megaprocessos que irão arrastar-se durante muitos anos nos tribunais.

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