Saúde

Ordem dos Enfermeiros admite que podem morrer mais doentes devido à greve

A bastonária Ana Rita Cavaco exige respostas às reivindicações dos enfermeiros.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros admite que podem morrer mais doentes por causa da greve nos blocos operatórios.

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Ana Rita Cavaco sublinha que o drama não é de agora, explicando que a falta de enfermeiros já leva à morte de doentes no Serviço Nacional de Saúde.

"Pessoas a morrer no SNS por falta de enfermeiros infelizmente já acontece há muito tempo e estamos a falar mortes evitáveis. É evidente que a greve nos blocos operatórios, que já adiou mais de 500 cirurgias, pode potenciar essa situação", avisou a bastonária em declarações à TSF.

Ana Rita Cavaco considera que a situação no Serviço Nacional de Saúde é demasiado grave e por isso, é hora de agir em vez de fazer mais reflexões. Pela ausência de reformas e respostas, a Ordem decidiu abandonar a Convenção Nacional de Saúde e já não vai estar presente numa audiência marcada com o Presidente da República.

"A Convenção Nacional de Saúde já se realizou, na verdade chegou às mesmas conclusões que nós já tínhamos chegado há dois anos. De há dois anos para cá, até agora não aconteceu nada, não houve reformas e sentimos que isto é mais uma perda de tempo", frisou a bastonária.

Os enfermeiros estão em greve nos blocos operatórios em 5 hospitais públicos, até ao final do ano.

"Situação é complexa"

Durante esta segunda-feira, o bastonário da Ordem dos Médicos esteve reunido, por videoconferência com os diretores clínicos dos cinco hospitais públicos afetados pela greve.

Miguel Guimarães avisa que "a situação é complexa mas não catastrófica". Contudo, o bastonário avisa que há risco de morte, se a greve se prolongar no tempo.

"Se a situação se mantiver muito mais tempo, o risco começa de facto a existir. Neste momento, não me foi relatado que nenhum doente tivesse morrido diretamente como consequência da greve mas agora o que acontece é que há doentes que podem perder a janela terapêutica", avisou Miguel Guimarães, que apela ao bom senso de ambas as partes.

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