"Porque não pode ser Cabo Verde a democracia número 1 do mundo?"

A ambição do Presidente da República de um país com democracia recente mas internacionalmente elogiada. Jorge Carlos Fonseca deu entrevista à TSF nas Correntes D"Escritas na Póvoa de Varzim e falou de consolidação democrática, narcotráfico, populismos, acordo ortográfico, língua portuguesa e de Marcelo.

Jorge Carlos Fonseca vai receber o amigo, ex-professor, homólogo português no dia 10 de junho. A Cidade da Praia vai receber parte das comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que começa em Portalegre. Mas de que vale a promoção da língua portuguesa, de que Marcelo e Fonseca têm sido incansáveis campeões na promoção, defesa, enaltecimento dos seus maiores vultos (quase como se outras literaturas não existissem ou), se um país como o Brasil ignora por completo - ou quase - aquilo que foi acordado no (des)acordo ortográfico e se outros países há que dificilmente - ou ás pinguinhas, como em português se diz - o implementam?

Para Jorge Carlos Fonseca, entrevistado pela TSF nas Correntes D"Escritas de que foi orador na Conferência de Abertura ("As Letras da Língua e a Mobilidade dos Criadores na CPLP"), é preciso separar as coisas: "independentemente do que se possa pensar sobre o acordo ortográfico - há países que, para além da aprovação, ratificaram o acordo e outros não, em Cabo Verde a opinião largamente maioritária é que o acordo vigora no país", questão bem diferente "é a aposta que se faz na valorização da língua portuguesa, na sua aprendizagem e na sua difusão. Eu creio que sobre isso ninguém tem dúvidas de que é do interesse de todos que a língua portuguesa se difunda o mais possível e que tenha o maior uso internacional possível nas relações internacionais". Fonseca acredita convictamente que o português é uma língua de futuro: "pode vir a ter mais cem milhões de falantes", a somar aos que já a falam, "despertando cada vez mais interesse em espaços que não são, tradicionalmente, espaços de língua portuguesa". Na promoção da língua portuguesa, atira o autor do livro "A Sedutora Tinta das Minhas Noutes" apresentado por estes dias na Póvoa de Varzim, "estamos todos apostados, está Cabo Verde e está o seu presidente".

Estará a democracia cabo-verdiana nos níveis ou patamares que o seu presidente deseja? "Eu fico satisfeito quando várias instâncias internacionais e outros instrumentos de divulgação de estudos de opinião, colocam Cabo Verde entre as primeiras trinta democracias do mundo. Isso é bom para um arquipélago como Cabo Verde, que é uma democracia recente e creio que haver várias referências internacionais a este nível, demonstram que isso (o bom posicionamento do país nos rankings de democracia) é um facto. É um país livre, onde existe liberdade de imprensa, é um facto". Mas como presidente e como "amante da democracia e porta-voz do que deve ser uma grande ambição nacuional", o poeta, ficcionista e ensaísta que foi assistente de Marcelo Rebelo de Sousa, manifesta o desejo de Cabo Verde ser "não a vigésima terceira ou vigésima sexta, mas sim uma das maiores democracias do mundo. Não precisamos de ter recursos naturais tradicionais; não é preciso ter petróleo ou diamantes para sermos um país livre, uma democracia com um estado de direito cada vez mais avançado e por isso eu digo sempre que Cabo Verde tem as condições, para daqui a uns anos, o The Economist, os Repórteres Sem Fronteiras, a Transparência Internacional, nos dizerem que Cabo verde é a décima democracia do mundo. Ou, porque não, o número 1 em democracia?". Fonseca vê as críticas, por exemplo ao Código de Ética da rádio e televisão públicas do país como "estímulos para que Cabo Verde seja uma democracia cada vez mais avançada e sermos um país cada vez mais livre".

Adepto assumido do reforço da cooperação internacional para a luta contra os vários tipos de tráfico, desde droga a seres humanos, o chefe de estado cabo-verdiano salienta no entanto que "como amante da liberdade e da democracia", é preciso fazer com que esse combate, como o combate contra a corrupção, se faça "num quadro do que são os princípios da democracia e do estado de direito; isto é, temos de estar atentos também a fenómenos recentes, que se estribam em discursos e propostas populistas que, em nome do combate à corrupção, ou do abuso sexual de menores, de combate aos tráficos, pretendem agitar soluções, propósitos e visões que, ao fim e ao cabo, se traduzem na decapitação da própria democracia, acenando o canto da sereia de soluções autoritárias. Aí, eu até invocaria um grande penalista e filósofo alemão que diz que é preferível ter um pedacinho de corrupção às virtudes de um qualquer ditador".

Satisfeito com uma visita que reforçou "teias de uma cumplicidade política, institucional e pessoal", que "ajuda à aproximação de países que têm já relações muito boas" nas várias áreas em que cooperam, Jorge Carlos Fonseca, diz que a sua presença e de mais de 140 escritores num evento como as Correntes D"Escritas na Póvoa de Varzim, "ajuda a fortalecer a CPLP e ajuda a encontrar caminhos comuns para concretizarmos ambições que temos para essa comunidade num momento em que Cabo Verde tem a presidência bienal da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa".

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