Pradarias Marinhas do Portinho da Arrábida estão a ser replantadas

Foram destruídas, mas estão a ser repostas. As plantas originais vêm da ilha da Culatra, no Algarve.

A zona do Portinho da Arrábida já teve dezenas de hectares de plantas marinhas. Mas isso foi no passado. A destruição das pradarias marinhas levou a que se tivesse que começar do zero.

Ester Serrão, investigadora do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, coordena a equipa que trabalha desde 2007 na replantação da pradaria marinha desta zona do Parque Marinho Professor Luis Saldanha, iniciativa integrada no projeto Biomares.

Além de serem necessárias para a estabilização da dinâmica costeira e para segurar areias, as pradarias são essenciais para a manutenção da biodiversidade. "É como numa floresta terrestre.Se a tivermos temos também muito mais animais do que se houver só um deserto", explica a docente. No mar é a mesma coisa, as " plantas servem de abrigo aos animais que se escondem dos seus predadores, servem de maternidade para muitos juvenis" de diferentes espécies.

Como é possível que uma zona que teria cerca de 30 hectares de plantas marinhas, o tamanho de 30 campos de futebol, tenha passado para nada? Uma das causas foi a pesca da ganchorra."É uma arte para apanhar bivalves, que tem uns dentes na frente como se fosse um ancinho e, ao andar, cria uma auto estrada sem plantas".

As poitas de amarração dos barcos, blocos de cimento, também contribuíram para a destruição do fundo marinho, lavrando as ervas marinhas.

No Plano de Ordenamento do Parque Marinho da Arrábida a pesca da ganchorra foi proibida e o sistema de amarração dos barcos alterado para não prejudicar o fundo do mar.

O transplante de ervas marinhas é lento, muito lento, e até agora só há cerca de 100 metros quadrados plantados no fundo do mar.

As plantas originais têm sido colhidas na Ria Formosa, na Ilha da Culatra. E o processo é trabalhoso. "Foi necessário recolher as plantas com grandes pás, em mergulho", que depois foram transportadas para a zona de Setúbal e depois replantadas.

Para fazer a monitorização, os investigadores mergulham assiduamente no local."Já se veem pequenos peixes e invertebrados que, se houvesse só areia, não teriam onde se esconder", garante a investigadora.

Vai levar tempo, mas talvez daqui a algumas gerações se consiga chegar aos vários hectares de fundos marinhos que existiram em tempos que já lá vão.

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