Risco de pobreza está a diminuir, excepto para idosos e desempregados

Em 2017, 17,3% dos portugueses estavam em risco de pobreza, menos um ponto percentual do que no ano anterior. Na população mais envelhecida e nos desempregados a tendência é inversa.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) indica que "17,3% dos residentes estavam em risco de pobreza em 2017, mantendo-se a tendência para a redução do indicador". Em relação a 2016, o risco diminui 1 ponto percentual (p.p.), mas a descida é ainda maior (menos 3,1 p.p.) se comparada com 2003. Há 15 anos, o risco de pobreza superava os 20%.

Os dados provisórios, que constam do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, do Instituto Nacional de Estatística (INE), incidem sobre pessoas com rendimentos inferiores a 5.610 euros anuais (ou 468 euros por mês multiplicados por 12).

Ter ou não emprego é decisivo nestas contas. O INE ressalva que, "apesar de a população desempregada continuar a diminuir, o aumento da linha de pobreza relativa refletiu-se num novo aumento do risco de pobreza para a população em situação de desemprego": de 44,8% para 45,7%. O valor é substancialmente menor na população empregada: 9,7% (menos 1,1 p.p. do que em 2016).

O INE destaca ainda que o risco de pobreza aumentou entre a população idosa: 17,7%, mais 0,7 p.p. que em 2016.

Entre os menores de 18 anos, há uma nova diminuição (menos 1,8 p.p. do que no ano anterior), para 18,9%. Na população em idade ativa a redução é ainda mais acentuada: menos 1,4 p.p., para 16,7%.

O risco de pobreza reduziu-se ainda "para ambos os sexos", mas "este impacto foi mais expressivo para os homens (menos 1,2%) do que para as mulheres (menos 0,8%)".

O papel do Estado para mitigar o risco de pobreza é também quantificado pelo INE. "Considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 43,7% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza". No entanto, "os rendimentos provenientes de pensões de reforma e sobrevivência contribuíram em 2017 para um decréscimo de 21 p.p." e "as transferências sociais, relacionadas com a doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social contribuíram para a redução do risco de pobreza de 5,4 p.p.", explica o gabinete de estatísticas.

O INE sublinha ainda que a intensidade da privação material "reduziu-se pela primeira vez desde o início da década", mas "manteve-se uma forte desigualdade na distribuição de rendimentos".

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