Sons da História. Da emissão especial de Timor à crise migratória dos nossos dias

O Sons da História retrata um site multimédia e completamente interativo que percorre a história do país e do mundo, nos últimos 30 anos da TSF. Na apresentação, Carlos Andrade recordou a emissão de Timor, enquanto Santos Silva e António Vitorino abordaram sobre o tema das migrações.

Carlos Andrade era diretor da TSF na altura em que a rádio lutou pela causa de Timor. No dia da apresentação dos Sons da História, que encerra o 30.º aniversário da TSF, Carlos Andrade conta que se lembra de "tanta coisa" daqueles dias, inclusive da forma como "nasceu a ideia de fazer a emissão de Timor".

Organizaram-se equipas e arrancou-se para uma emissão especial, onde se "prescindiu da publicidade como sinal de que não estávamos a fazer aquilo para ganhar audiências".

Carlos Andrade recorda-se que muitos jornalistas ficaram até chateados por não terem sido chamados no momento da verdade, no momento que deu início à emissão especial de Timor.

"A situação era muitíssimo perigosa, estava muito receoso" em relação às pessoas que estavam no terreno. "Nas horas cruciais ofereci-me para fazer secretariado de redação que normalmente um diretor não fazia", recorda, consciente de que se estava a fazer História.

"Política das migrações é a questão mais divisiva"

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, acredita que "a política das migrações é hoje a questão mais divisiva na União Europeia".

O tema foi abordado na apresentação dos Sons da História, como um dos assuntos fraturantes da atualidade, e Santos Silva acredita que "o primeiro passo é distinguir com firmeza a questão dos refugiados e das migrações", tendo em conta que "o acolhimento é uma obrigação moral e legal".

O ministro acredita que a "organização de canais legais de migração" é a "única alternativa às migrações desordenadas e ao tráfico de seres humanos".

"A agenda xenófoba tem os migrantes como alvos principais e as migrações" e "os Estados têm o dever de acolher pessoas que são obrigadas a fugir dos seus territórios ou países porque a sua vida corre perigo", reiterou o governante.

Na conversa, o ministro dos Negócios Estrangeiros falou ainda da forma como o país e os partidos políticos com assento parlamentar reagem a esta situação. "Em Portugal, nem o Governo nem a oposição colocam como fratura política a questão das migrações", assegurou.

"Depois das eleições Europeias veremos"

António Vitorino, diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), foi também convidado para a conversa, através do telefone, e garantiu que não se surpreenderia que o tema das migrações estivesse no centro da discussão para as eleições Europeias.

"Depois das eleições veremos qual é a relação de forças e isso será muito importante" para se saber "como é possível articular uma política para a imigração", revelou o responsável da OIM.

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