"Tragam apenas fotografias e nunca plantas quando vão de férias"

Agricultura pede todo o cuidado a quem vai de férias para a Europa. Bactéria que já destruiu plantações em Itália, França e Espanha assusta agricultores e especialistas.

Nunca foi detetada em Portugal, mas assusta agricultores e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) que desde março analisa obrigatoriamente todas as plantações em Portugal de seis espécies como oliveiras e amendoeiras para despistar a bactéria xylella fastidiosa.

Com um plano de contingência ativo, Ana Paula Carvalho, responsável pela sanidade vegetal na DGAV, admite que estão preocupados pois os efeitos são devastadores nas culturas e a única forma de a travar é arrancando as plantações.

A primeira vez que a xylella foi detetada foi em Itália em 2013, podendo afetar mais de 300 espécies vegetais: oliveiras e amendoeiras, sobretudo, mas também árvores de fruto, espécies florestais e até ornamentais.

Desde 2013 já houve dois focos em França e sobretudo nas espanholas ilhas Baleares, bem como em Almeria e, mais recentemente, em abril deste ano, perto de Madrid, afetando sobretudo olival e culturas muito importantes em países como Portugal.

Com a progressiva aproximação do território português, Ana Paula Carvalho adianta que todo o cuidado é pouco pois os efeitos podem ser muito graves e faz um apelo aos turistas: "Tragam apenas fotografias e nunca plantas".

A especialista sublinha que tudo está controlado e é preciso serenidade, mas com tantas espécies vegetais afetadas por esta xylella fastidiosa é um risco trazer para território nacional qualquer planta, recordando que as ilhas Baleares estão todas declaradas como endémicas desta praga.

Se a bactéria chegar a Portugal a solução terá de ser destruir as plantas afetadas, bem como todas à volta num raio de 100 metros com fortes prejuízos para a agricultura, o ambiente e a paisagem.

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) também admite que a xylella fastidiosa preocupa e acrescenta que é fundamental que quem trabalha no campo perceba que não pode esconder das autoridades qualquer sinal que detete da doença: "É muito pior esconder do que atuar de imediato. A detecção precoce é fundamental para travar a bactéria", conclui Eduardo Oliveira e Sousa.

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