
José Ricardo Ferreira / TSF
A associação de Vila Nova da Rainha, no concelho de Tondela, onde há um ano um incêndio tirou a vida a 11 pessoas, que participavam no torneio de sueca, continua de portas encerradas.
Doze meses depois da tragédia, a TSF constatou no local que quase nada mudou. Os vidros continuam partidos, ainda se podem ver alguns troféus junto a uma janela. A marcar o luto da coletividade, e da aldeia, numa das portas de entrada do edifício e numa janela com gradeamento permanecem duas faixas negras.
"[O edifício] continua na mesma. Foi libertado [pelas autoridades judiciárias] em junho, comecei por mandar lá uma empresa para fazer limpezas para ver se conseguíamos fazer alguma coisa, mas aquilo só com uma intervenção forte.... E depois é o psicológico das pessoas que estavam à frente daquilo que ainda está muito em baixo", afirmou o presidente da Associação, Jorge Dias.
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Para o dirigente, ainda é difícil falar do que aconteceu naquela noite fria de inverno. Os olhos estão já postos no futuro.
"Estamos a ponderar reabrir noutro sítio, fazer outra coisa", disse, acrescentando que para isso acontecer é preciso o apoio da comunidade.
Eduardo Santos, um dos participantes no torneio e que ficou ferido no incêndio, é dos que defende a reabertura da coletividade. Sempre que recorda os momentos que viveu, fica com as lágrimas nos olhos, mas mesmo assim, entende que a "associação não deveria estar fechada". "Deveria abrir noutro local. Não é uma associação para jogar cartas, é uma associação de convívio", defendeu.
Tal como para Eduardo, também João Carlos Rodrigues, que ficou ferido no fogo, diz que a instituição faz falta à localidade,
"Vila Nova da Rainha morreu. Era uma força que havia aqui. O pessoal juntava-se, reunia-se, conversávamos. Agora há pessoal que passam-se semanas que não os vejo", lamentou, reclamando a ajuda do poder local e nacional para reerguer a coletividade.
O incêndio tirou a vida a 11 pessoas e causou 38 feridos. A investigação ao fogo prossegue por parte da Polícia Judiciária, encontrando-se numa fase final. A Procuradoria-Geral da República garantiu à TSF que não há arguidos constituídos e sublinhou que o processo mantém-se em segredo de justiça.