Sociedade

Um ano depois do incêndio, Pinhal de Leiria só tem um técnico

Presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas reconhece a necessidade de reforçar o número de trabalhadores nas matas nacionais

O Governo já anunciou a intenção de reforçar os serviços florestais, mas um ano depois do grande incêndio, o Pinhal de Leiria continua a ter só um técnico superior e nove operacionais.

O presidente do ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas reconhece que para a área em causa - 11.021 hectares - "os rácios da engenharia" obrigam a "cerca de 40 operacionais" e "um técnico entre 5 a 10 mil hectares".

Faltam meios, admite Rogério Rodrigues, que identifica outra ameaça no Pinhal de Leiria: a proliferação de espécies invasoras: "Estas acácias, que invadem estes territórios, com a retirada das árvores e o aumento da luz vão ver uma oportunidade para expandir a sua área. Há muitas e variadas formas de ultrapassar este problema. Muito onerosas, e acima de tudo, com uma continuidade de atuação".

Há um ano arderam 9.500 hectares, o equivalente a 86% do Pinhal de Leiria. Desde aí, foram plantados 400 hectares e leiloados 2.200 hectares com madeira queimada. O presidente do ICNF defende-se das críticas de que está tudo, ou quase tudo, por fazer, argumentando que este "é um processo de décadas", não "um assunto que se resolva em dois ou três anos".

O investimento inicial nas matas nacionais do litoral é de 15 milhões de euros até 2022. No Pinhal de Leiria, o principal desafio passa por ter maior diversidade de espécies, além do pinheiro bravo. "Se houver mais humidade ou melhor solo, escolheremos certamente outras espécies para criar um mosaico mais diversificado", afirma Rogério Rodrigues. Por exemplo, sobreiros e outras folhosas.

Em relação às estradas da mata fechadas ao trânsito, o presidente do ICNF, que este sábado participou num colóquio sobre o Pinhal de Leiria, organizado com o apoio do Município da Marinha Grande, diz que vão manter-se encerradas por tempo indeterminado.

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