Operação Marquês

Se amigo de Sócrates morresse, primo de Sócrates ficava com 80% de duas contas

Acusação do Ministério Público garante que caso Freeport assustou e obrigou a mudar nomes do dono das contas para onde ia dinheiro ilegalmente recebido.

A acusação da Operação Marquês consultada pela TSF garante que os pagamentos feitos ao primeiro-ministro tiveram um momento decisivo, de mudança, entre 2007 e 2008, quando começou a ser conhecida a investigação ao chamado caso Freeport que também envolvia José Sócrates enquanto ex-ministro do Ambiente.

Segundo o Ministério Público, todo o dinheiro para Sócrates estava até aí a ser encaminhado para contas do primo, na Suíça, José Paulo Pinto de Sousa.

As notícias sobre o Freeport que já envolviam os dois nomes, José Sócrates e o primo, levaram a transferir o dinheiro para outras contas entrando em jogo o nome de um novo testa de ferro: é aí que surge o amigo Carlos Santos Silva.

A meta era "cortar qualquer ligação" entre o antigo primeiro-ministro e José Paulo Pinto de Sousa.

No entanto, no meio deste processo existiam duas contas em que Carlos Santos Silva era "formalmente o beneficiário último dessas sociedades", mas, "de acordo com instruções fornecidas por estes arguidos ao banco", em caso de morte 80% do dinheiro seria herdado por José Paulo Pinto de Sousa, o primo de Sócrates, com apenas 20% a ir para a mulher e filha de Carlos Santos Silva.

A herança anterior, que também podia levantar suspeitas, fez com que as novas contas abertas deixassem de ter o nome, mesmo que indiretamente, do familiar de Sócrates "com o intuito de cortar qualquer ligação" possível que surgisse numa eventual investigação.

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