Portugal é o sexto país mais envelhecido do mundo

"Olhar para os idosos de forma economicista transforma-os num problema." Estaremos preparados para as implicações demográficas, sociais e políticas?

Que Portugal está a envelhecer todos sabemos, mas que somos o sexto país mais envelhecido do mundo talvez seja novidade. Mas somos. Por um lado faltam-nos crianças e jovens, por outro temos cada vez mais idosos, numa altura em que a idade média da população ativa continua a subir.

Que implicações demográficas, sociais e políticas daqui resultam? Foi o que perguntamos a Teresa Rodrigues, autora do livro "Envelhecimento e Políticas de Saúde", que é apresentado esta sexta-feira em Lisboa.

"Eu diria que o envelhecimento tem implicações que não são necessariamente negativas. Poderá ser um problema no sentido em que nos vai exigir uma resposta rápida, tendo em conta as transformações que estão previstas, não obstante, temos a vantagem de já ter diagnosticado aquilo que há para diagnosticar o que mitiga a questão do problema", diz a autora.

Com o envelhecimento estrutural a que assistimos, não deixa de ser irónico que, enquanto sociedade, tendemos a desvalorizar os idosos. Teresa Rodrigues denota o contra senso mas recusa que estejamos em negação: "A velhice tem uma valorização por parte da sociedade que vai variando de acordo com o tempo e com as conjunturas. Não há duvida que nos últimos anos a tendência para olhar de uma forma economicista tende a transformar os idosos num problema, vistos como inativos e como pessoas que ,de alguma forma, criam pressões no setor contributivo, segurança social, regime de pensões, etc."

Questionada sobre o impacto que este envelhecimento pode ter vir a ter na saúde e no bem-estar coletivo, Teresa Rodrigues salienta que " (...) os idosos do futuro têm algumas vantagens à partida em relação aos idosos de hoje e isso tem a ver com a educação e a informação. Os próximos idosos serão pessoas com níveis de educação mais elevados e isso permite-lhes ter uma noção mais precisa dos seus direitos e deveres, com capacidade para escolher comportamentos mais saudáveis. Estas medidas preventivas e proativas são muito importantes."

No plano estatal, a autora sugere a restruturação das politicas de saúde, com prioridade para a otimização dos meios já existentes: "Mais do que novas instituições, será necessário reorganizar os serviços, fazer um ajustamento entre os responsáveis políticos e as entidades prestadores de serviços tendo em conta as realidades locais, numa lógica regional."

Teresa Rodrigues diz ainda que é necessário uma cooperação mais estreita entre os responsáveis políticos e as entidades prestadoras de serviços para, por exemplo, controlar fatores que geram procura excessiva de cuidados de saúde ou a preços demasiado elevados; ajustar os comportamentos de risco dos cidadãos e promover uma educação para a saúde, introduzindo, por exemplo, módulos específicos nas escolas.

Com um serviço nacional de saúde que arrisca o colapso e as pensões de reforma alvo de incerteza constante, "Envelhecimento e Politicas de Saúde" lança desafios e aponta caminhos para assegurar o futuro da nova era demográfica.

Publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o ensaio será apresentado esta sexta-feira em Lisboa.

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