Hospital Santa Maria

200 mil euros para salvar uma vida. "E que retorno receberam as Finanças?"

O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, lança um livro comemorativo dos 64 anos da instituição pioneira no tratamento da Hepatite C. Administrador quer uma visão da Saúde de mais investimento do que custo.

É preciso olhar para a Saúde com uma visão económico-social e não como uma visão financeira. Quem o diz é Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, do qual faz parte o Santa Maria.

A afirmação vem a propósito do lançamento do título "O futuro começa aqui", um livro comemorativo dos 64 anos da instituição pioneira no tratamento da Hepatite C.

Carlos Martins dá um exemplo de como o Hospital Santa Maria olha para a saúde como um investimento e não um custo: "Investimos num cidadão com Hepatite C sensivelmente 200 mil euros. Esse cidadão voltou à atividade empresarial, criou cerca de 400 postos de trabalho, está internacionalizado em seis países. Quantos milhões de euros é que o ministério das Finanças recebeu de retorno do investimento que fizémos nesse cidadão?"

A perspetiva serve para o presidente do Conselho de Administração do Santa Maria explicar uma das frases que escreve na introdução do livro agora lançado: "Preferia ir a Tribunal por não cumprir a lei dos compromissos a ser julgado por deixar morrer um doente por razões contabilísticas".

Tendo sido o hospital pioneiro nos tratamentos de doentes com Hepatite C, Carlos Martins faz notar que foram muitos os doentes cuja vida foi salva à custa do investimento em terapêuticas inovadoras. "Em 2014, no período mais crítico, tratámos cerca de 100 doentes com inovação com uma taxa de sucesso de 95%. Desde que foi assinado o protocolo, no início de 2015, até 1 novembro, tratámos 2419 doentes, com uma taxa de sucesso de 97%. Ou seja, devolvemos às famílias, à atividade profissional, à sociedade 2346 cidadãos", refere.

Em 2015, foi assinado o acordo entre o Estado e a indústria farmacêutica para fazer chegar aos doentes o tratamento inovador com Hepatite C. Tinha nessa altura a pasta da Saúde Paulo Macedo. A polémica rebentou quando um doente interrompeu uma comissão parlamentar onde o ministro estava a ser ouvido, pedindo que não o deixassem morrer. Nessa altura, lembra o livro agora editado, já o hospital Santa Maria disponibilizava esses fármacos aos doentes.

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