Ana Rita Cavaco diz que falta "autorização para negociar" à ministra da Saúde

Bastonária da Ordem dos Enfermeiros considera que Marta Temido deve negociar não só com os enfermeiros sobre a greve mas também com os grupos privados em relação à ADSE.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros entende que "tem que haver negociação e bom senso" entre os enfermeiros e o Governo e que à ministra da Saúde, Marta Temido, "falta-lhe talvez autorização para negociar".

"Como em tudo, também na greve dos enfermeiros tem que haver negociação e bom senso. Nós já demos o primeiro passo naquilo que deve ser a aproximação ao Governo e ao ministério da Saúde. Não sei se ainda dura o nosso castigo de não termos audiências e não sermos recebidos. Penso que não, que isso se irá resolver esta semana. Acho que a senhora ministra tem que fazer a mesma coisa com os grupos privados. Falta-lhe talvez, se calhar, autorização para negociar", atirou a bastonária dos enfermeiros na sede da Ordem, em Lisboa, no final de uma reunião com sindicatos e enfermeiros-diretores dos hospitais abrangidos pela greve nos blocos operatórios.

O PSD pediu esta terça-feira uma audição urgente da ministra da Saúde e várias entidades sobre a suspensão e o fim de convenções com a ADSE por dois grupos privados, alertando para os riscos de sobrecarregar um Serviço Nacional de Saúde "sem folgas".

Ana Rita Cavaco, bastonária, classificou como dramático o anúncio do fim das convenções com o subsistema de saúde ADSE pelos hospitais privados da Luz e da CUF, considerando que "tem que haver negociação e bom senso".

"É dramático, há espaço para todos coexistirem (...). Muitas das pessoas, eu incluída, que recorrem a esses hospitais [privados], porque têm uma convenção com a ADSE, vão ter que recorrer à rede de hospitais do SNS [Serviço Nacional de Saúde], que está com uma resposta muita deficiente", afirmou Ana Rita Cavaco aos jornalistas.

O Grupo Luz Saúde, que gere a rede de hospitais e clínicas Luz, comunicou hoje aos seus colaboradores o fim das convenções com o subsistema de saúde ADSE (dos funcionários públicos) a partir de 15 de abril.

A José de Mello Saúde, que gere a rede de hospitais e clínicas CUF, formalizou na segunda-feira a suspensão, com efeitos a 12 de abril, da convenção com a ADSE para prestação e cuidados de saúde aos seus beneficiários em toda a rede, podendo evoluir para denúncia definitiva da convenção, noticiou o jornal Expresso.

Os grupos de saúde privados invocam, entre outros motivos, alterações de regras e tabelas de preços desajustadas.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje os dois grupos da área da saúde de estarem a fazer chantagem com o SNS.

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