Salazar

"Não caia nisso." Saiba como escolher a cadeira ideal

A TSF indica-lhe quais os cuidados a ter quando se senta e como escolher a cadeira ideal, para evitar pequenas grandes tragédias como a que terá sucedido ao ditador português.

A história toda a gente a conhece, independentemente da versão. Salazar sentava-se numa cadeira quando caiu e bateu com a cabeça. O acidente gerou complicações de saúde ao líder do Estado Novo, que, um mês e meio depois, acabaria por ser substituído por Marcello Caetano.

O estado de saúde de António de Oliveira Salazar foi-se debilitando cada vez mais e, cerca de dois anos após a queda, acabaria por morrer, aos 81 anos.

O acontecimento ganhou tal notoriedade por dizer respeito a quem diz - o homem que, durante quase quatro décadas, governou Portugal sob uma ditadura. Mas a situação é, na realidade, muito frequente. Todos os anos, aproximadamente 50% das pessoas a partir dos 80 anos sofrem quedas.

"Todos nós caímos, pelo menos, uma vez na vida. Começamos a cair na infância e obviamente, com o avançar da idade, vamos caindo mais", diz à TSF Carlos Evangelista, especialista em ortopedia geriátrica.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), as quedas são mesmo responsáveis por 70% das mortes acidentais nesta faixa etária, onde fatores como a regressão visual e auditiva, as dificuldades de mobilidade e a perda de capacidade mental podem ser determinantes.

É por isso que, já este ano, a SPOT lançou a campanha "Não caia nisso" , com o objetivo de prevenir os riscos de quedas na população idosa e as suas complicações inerentes. É que uma "simples" queda pode levar a uma fratura nas costelas e causar incapacidade respiratória, ou um traumatismo no crânio que acabe numa hemorragia intracraniana.

Como escolher a cadeira ideal?

Para a história ficou a ideia de que Salazar estava a sentar-se numa cadeira de lona (como aquelas dos realizadores de cinema), quando tudo aconteceu. Talvez, se tivesse optado por uma cadeira mais adequada, o chefe do Governo português pudesse ter evitado o acidente.

A cadeira ideal para estar corretamente sentado é aquela em o encosto pode ser regulado, ajustando a altura e a inclinação do mesmo, conforme a pessoa que nela se senta. O mais indicado é que tenha uma largura mínima de 30 centímetros e uma altura de 24 centímetros.

Já o assento deve permitir que os pés toquem inteiramente com a sola no chão e que os joelhos forem um ângulo de 90º.

O toque final para a cadeira perfeita é o apoio para os braços, para permitir o relaxamento dos músculos do pescoço.

Sente-se como deve ser

Como não importa qual a cadeira que escolhe, se continuar a sentar-se incorretamente, fique a saber que não convém cruzar as pernas e o melhor é ter os dois pés assentes no chão.

A anca deve ficar ligeiramente inclinada para a frente, para que a curvatura lombar seja a correta, e os ombros devem ser posicionados levemente para trás, de modo a não formar uma "corcunda".

A cabeça deve estar direita e os braços devem ficar apoiados na cadeira ou em cima da mesa.

Atenção aos perigos em casa

"A casa, que é o nosso ninho, é o nosso maior inimigo", garante Carlos Evangelista.

É dentro das nossas próprias casas que se encontram alguns dos maiores perigos no que diz respeito a quedas: "os tapetes", "os cabos e fios elétricos" ou os "brinquedos dos miúdos", normalmente espalhados pela casa, são objetos onde é muito fácil tropeçar e cair, aponta o especialista.

A casa de banho é um dos focos de maior alerta, devido à probabilidade da existência de água derramada no chão e às dificuldades em entrar e sair da banheira, muitas vezes demasiado alta.

Também fora de casa há muitos perigos - desde os buracos na calçada às escadas e degraus para subir -, mas Carlos Evangelista não tem dúvidas de que a melhor forma de evitar lesões é mesmo mover-se. Sair à rua e andar, para contrariar a flacidez muscular, que está ligada ao desequilíbrio.

Não esquecer ainda ter uma alimentação completa e variada e trazer sempre consigo, a tiracolo, um telemóvel, para poder pedir ajuda em caso de emergência.

Também o apoio psicológico é fundamental porque um idoso que cai, muito frequentemente, fica com um medo absoluto de voltar a cair, o que condiciona em muito a vida da pessoa. Por isso, acima de tudo, o importante é fazer com que tenha vontade de recuperar e se sinta útil.

"Pode parecer senso comum, mas são estas pequenas coisas que acabam por ser grandes coisas. São estes pequenos 'se' que fazem com que um dia as coisas possam correr mal", alerta o especialista.

  COMENTÁRIOS