Sociedade

Enfermeiros contra-atacam Governo e reforçam impacto da greve

Movimento e sindicato pedem uma adesão ainda mais forte esta segunda-feira que faça com que a greve deixe de ter apenas impacto nos blocos operatórios.

É a primeira resposta, prática, à conferência de imprensa do Ministério da Saúde que na última sexta-feira divulgou as conclusões do parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a greve: o Movimento Greve Cirúrgica e a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) querem reforçar, esta segunda-feira, o impacto da paralisação que dura desde janeiro em dez centros hospitalares.

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Até agora a greve apenas afetava os blocos operatórios, apesar de ter sido decretada, formalmente, para todo o serviço. Os enfermeiros sublinham que a paralisação não é setorial, "apesar do que erradamente foi veiculado, pelo que cabe a todos mostrar apoio aos enfermeiros dos blocos".

Lúcia Leite, da ASPE, adianta à TSF que perante os serviços mínimos decretados em muitos serviços não fazia sentido, até agora, que outros enfermeiros fizessem greve, incluindo para não prejudicar os doentes, nomeadamente os que estão internados.

No entanto, a meta, esta segunda-feira, é "reforçar" a greve levando a adesão aos "100%", ou seja a todos os serviços para mostrar que os enfermeiros estão unidos "em volta das reivindicações de uma classe profissional e não apenas dos que trabalham nos blocos operatórios".

A associação sindical e o movimento acusam o governo de "coação" contra os enfermeiros por alegadamente usar "estratégias jurídicas" para travar a paralisação com um parecer da PGR que tal como o primeiro, de dezembro, ainda não foi totalmente divulgado pelo Ministério da Saúde.

A ASPE admite que pretendem, na prática, um reforço do impacto da greve, pelo menos esta segunda-feira, até que o governo divulgue, na íntegra, o parecer da PGR para que este seja bem analisado pelas estruturas que representam os enfermeiros.

Na sexta-feira a Ministra da Saúde convocou uma conferência de imprensa para anunciar o resultado do segundo parecer pedido à PGR sobre a longa greve dos enfermeiros.

Marta Temido garante que a paralisação foi considerada ilegal porque o pré-aviso de greve não definiu de forma clara como seria exercido o direito à greve e devido ao seu financiamento (num 'crowdfunding' pela internet).

O governo exigiu na altura a suspensão imediata da greve, mas os sindicatos não se conformam pois dizem que um parecer do Conselho Consultivo da PGR não tem o poder de uma decisão judicial e querem ver, na íntegra, o parecer sobre a greve que convocaram.

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