alimentação saudável

Mais pobres abandonam dieta mediterrânica 

Estudo revela que padrão de alimentação típico de Portugal durante décadas é cada vez mais uma comida de quem pode pagar.

A alimentação mais saudável e histórica em países como Portugal, a dieta mediterrânica, classificada pela UNESCO desde 2013 como Património Imaterial da Humanidade, é menos comum, quase rara, entre os portugueses mais pobres.

A conclusão é de um estudo agora publicado na revista científica Frontiers of Public Health que alerta para os problemas acrescidos de saúde de quem está na base da pirâmide social e económica.

Recorde-se que durante muitas décadas do século XX a dieta mediterrânica foi a alimentação comum dos mais pobres do país, mas como explica Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, hoje está sobretudo acessível a quem tem mais dinheiro.

Maria José Gregório, investigadora do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova, que liderou a equipa de 7 autores que assina o estudo, adianta que a probabilidade de comer com frequência alimentos típicos da dieta mediterrânica é muito mais baixa entre a população portuguesa mais pobre.

A dieta mediterrânica inclui produtos como o azeite, grão, muito pouca carne vermelha, mas peixe e marisco, queijos (e pouco leite), com bastantes vegetais, legumes e frutos secos. Alimentos que vários estudos revelam que levam a menos doenças cardiovasculares e cancros que noutras partes do mundo.

O estudo revela, por exemplo, que a população portuguesa mais pobre que sofre daquilo que os especialistas identificam como 'insegurança alimentar' (mais dificuldades em comprar comida) consome menos azeite, come menos fruta, peixe, mas, pelo contrário, compra mais carnes vermelhas, hambúrgueres e salsichas.

A investigação também revela que as mulheres, os desempregados e quem trabalha em part-time ou as famílias monoparentais correm maior risco de sofrer de insegurança alimentar.

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