Grupo José de Mello

"Insustentável." Proprietário dos hospitais CUF suspende convenção com a ADSE

O presidente da empresa considera que a relação do grupo privado com a ADSE é insustentável.

O grupo proprietário da rede de hospitais CUF vai suspender a convenção com a ADSE. A decisão, que entra em vigor a 12 de abril, foi divulgada num comunicado interno e pode evoluir para a denúncia definitiva da convenção.

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À cabeça, a José de Mello Saúde contesta a regra introduzida pela ADSE em 2014, designada por regra das regularizações. A empresa prevê que o sistema de saúde dos funcionários públicos possa pedir a devolução de verbas aos prestadores privados sempre que outro prestador pratique um preço mais baixo pelo mesmo ato médico. Vale o preço mínimo e a regra tem efeitos retroativos.

Foi ao abrigo deste princípio que a ADSE em dezembro do ano passado pediu aos privados que devolvessem 38 milhões de euros relativos aos anos de 2015 e 2016.

No comunicado interno agora conhecido, Salvador de Mello, presidente da Mello Saúde, sublinha que por causa desta regra, não sabe hoje com que preços presta serviços aos beneficiários da ADSE.

O segundo motivo invocado para a suspensão da convenção prende-se com os prazos de pagamento. O sistema de saúde dos funcionários está obrigado a pagar aos privados no prazo de 120 dias a contar do ato médico, mas segundo a Mello Saúde, o prazo médio de pagamento às unidades da CUF situa-se nos 283 dias.

Por fim, este grupo privado queixa-se da tabela de preços fixada para os medicamentos e dispositivos médicos. Segundo a Mello Saúde, os preços estão totalmente desajustados do real custo, mantendo-se em alguns casos inalterados há mais de 20 anos.

É com bases nestes três argumentos que Salvador de Mello conclui que a relação do grupo privado com a ADSE é insustentável.

"É preciso criar também concorrência"

José Abraão, líder da Federação dos Sindicatos da Administração Pública, em declarações à TSF, mostra-se preocupado com a situação e apela ao diálogo, mas acrescenta que é preciso procurar alternativas, confiante de que o sistema não vai deixar os beneficiários em resposta.

"Quero acreditar que o que diz o conselho diretivo da ADSE - de que os beneficiários não serão prejudicados - assim seja mesmo. Os grandes grupos são, de facto, meia dúzia e são eles que absorvem mais de 60% daquilo que é a receita da ADSE. É preciso diversificar. Haverá, provavelmente, outros em condições de prestarem serviços. É preciso criar também concorrência melhorando a qualidade e a questão dos preços que me parece fundamental. Quero acreditar que se crie um ambiente negocial que contribua para a resolução destes problemas."

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