Queria ficar mais jovem. Acabou com um seio maior que o outro

Cirurgiões plásticos estão preocupados com o crescente número de intervenções estéticas que correm mal por serem feitas por médicos ou não-médicos sem qualificações.

A Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética recebe cada vez mais queixas e quer que as autoridades de saúde fiscalizem e proíbam, claramente, que estes atos sejam praticados por quem não é médico ou é médico mas tem outra especialidade.

O alerta surge num dia em que arranca um Congresso Ibérico que vai discutir o problema. Um inquérito recente mostrou que todos os cirurgiões plásticos já receberem doentes que tiveram más experiências.

Um dos responsáveis da sociedade científica, Júlio Matias, conta que ele próprio já recebeu casos surreais de doentes injetadas com botox em cabeleireiros.

A Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica diz que há cada vez mais 'tratamentos' feitos em apartamentos ou cabeleireiros.

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Júlio Matias conta casos que lhe apareceram em Cascais e que pensava que só existiam na América Latina.

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Perante este cenário, a Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica diz que é muito difícil fiscalizar e não existem leis claras que punam quem faz estes tratamentos ou mesmo cirurgias sem as habilitações necessárias.

Queria rejuvenescer. Hoje evita ver-se ao espelho

Um dos casos encontrados pela TSF é de uma mulher que com cerca de 60 anos foi ao Porto ser operada numa clínica com um alegado cirurgião plástico.

Rosa, que prefere não ser identificada, conta que sentia-se psicologicamente jovem, mas a imagem que via ao espelho era cada vez mais diferente daquilo que pretendia.

O médico era "muito simpático", acordaram o preço e fazer uma lipoaspiração com anestesia geral e transferência de gorduras para as nádegas e seios.

A cirurgia correu bem, à primeira vista, mas o problema surgiu a seguir quando a gordura transferida começou a apodrecer, num calvário que durou um mês com dores horríveis, antibióticos e anestesias para retirar a gordura injetada.

Nuno Guedes conversou com uma mulher 'vítima' de uma cirurgia plástica.

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O pior passou há uns meses, mas ficaram as cicatrizes e um peito mais pequeno que o outro. Hoje, sente-se "mal física e psicologicamente" pois o que vê ao espelho "é bem pior que antes da cirurgia".

Depois da operação, esta mulher descobriu que o médico não tinha a especialidade de cirurgia plástica e nenhuma entidade oficial lhe conseguiu garantir que a clínica tem mesmo condições para fazer este tipo de cirurgia.

Hoje, aconselha quem quer melhorar a imagem que garanta, antes, que os médicos têm mesmo as qualificações necessárias e que as clínicas têm as condições adequadas. "O barato", diz, "saiu caro". A operação plástica custou-lhe 2500 euros.

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