GNR e PSP querem resolver problema com fardas. Governo pretende vender online

Profissionais falam de peças de roupa que precisam de adaptação, roupa de má qualidade e até de um mercado paralelo.

A criação de uma plataforma online para fornecer fardas ao militares da GNR e aos efetivos da PSP está de novo em cima da mesa. De novo porque esta iniciativa faz parte do Orçamento do Estado 2019, mas esta não é a primeira vez que é orçamentada. Já há "três ou quatro anos", conta Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), que se fala desta plataforma.

"O problema é mesmo grave, porque há pessoas que querer adquirir fardamento e não peças ou não sabem como podem adquirir", conta o dirigente da ASPP. Com a esperança de que "desta vez, seja mesmo para implementar", não só para que qualquer polícia em qualquer ponto do país possa adquirir o material, mas também porque, conta Paulo Rodrigues, assim " sabem que são peças oficiais e não precisam de ir a uma casa mandar coser ou bordar porque as calças não são bem iguais".

Do lado da GNR também é reforçada a urgência em encontrar uma solução para a aquisição e distribuição de fardas. José Miguel, vice-presidente da Associação de Profissionais da Guarda (APG) mostra-se, no entanto, algo desconfiado quanto à eficácia de uma plataforma online ​​​​​​​para resolver esta questão. "Hoje em dia é muito prático e funcional, mas no que diz respeito a roupas e fardamentos, não creio que seja assim tão prático ou sequer viável num curto espaço de tempo", considera.

São mais de 20 mil os profissionais que necessitam de fardas, situação que só pode ser revolvida depois de serem feitos "concursos internacionais, porque os valores ultrapassam determinadas plataformas". Reforçando que os profissionais precisam de ter uma "boa imagem" quando saem à rua, José Miguel não recusa que possa ser uma "situação vantajosa", mas reforça que "num curto espaço de tempo", não resolve as necessidades identificadas neste momento.

O mercado paralelo das fardas

A necessidade é, neste momento, tão urgente que os profissionais no ativo têm mesmo recorrido a um "mercado paralelo". Esta forma alternativa de obter fardamento tem sido, diz José Miguel, "uma peça importante para salvar algumas situações".

Apesar de não querer que esta procura pelo mercado alternativo se torne "recorrente para todos os profissionais", o vice-presidente da APG lembra que "se se estraga, tem que se esperar que apareça alguma nova", sendo que nem sempre é possível esperar.

Outra das preocupações manifestadas por José Miguel está relacionada com a qualidade, os materiais e as cores escolhidos para as fardas da GNR.

Tomando como exemplo os polos azuis que são neste momento usados no verão e no inverno, o dirigente da APG diz que revela que "só diferem num pormenor: o tamanho da manga."

Ambas as peças têm "o mesmo pelinho por dentro, têm as mesmas características, são iguais. Além disso, é uma malha que é tão ruim, tão ruim que às vezes, só por causa de os braços roçarem no corpo, vai levantando borbotos", explica.

Por estas características e por serem também de uma cor clara, sujam-se mais quando usados por quem anda no terreno, pelo que têm ser lavados, acelerando o desgaste.

José Miguel revela ainda que a falta de fardas leva a que, neste momento, no refeitório da GNR se possa encontrar cinco ou seis tipo de fardamento diferentes.

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