aeronáutica

Zona de exclusão de drones com seis quilómetros de raio perto de aeroportos é "garantia"

Professor do Instituto Superior de Engenharia do Porto considera que esta é uma solução que combate as soluções existentes no mercado.

Os drones vão ser proibidos junto aos aeroportos nacionais durante esta sexta-feira, com zonas de exclusão de cerca de seis quilómetros de raio onde vai ser impedida a navegação de qualquer aparelho não autorizado.

À TSF, o professor Eduardo Silva, do Instituto Superior de Engenharia do Porto, considera que a abrangência desta zona de exclusão pode ser acertada, mas tudo depende da autonomia dos aparelhos telecomandados.

"Depende muito da velocidade e do raio de alcance da operação. Por agora parece-me bem, seis quilómetros é uma garantia porque que não existe, no mercado de uma forma generalizada, alguém que 'tele opere' a seis km. Se este voo for totalmente autónomo, seis, 20, 30, 50 ou 80 km é irrelevante: se eu quiser voar, se o meu drone voar autonomamente e tiver capacidade energética para fazer viagens acima de 80 km, é irrelevante. Se voar a 300 km/h, seis km são muito curtos. Se voar a 40 km/h, seis km já poderá ser interessante, dá-nos 20 minutos para o detetar", explicou.

No que diz respeito aos danos que podem ser causados por estes drones, Eduardo Silva admite que podem ser "tremendos".

"Se este drone bater num avião ou entrar no reator de um avião, os danos podem ser tremendos. São drones com massas entre sete, oito, dez, 15 ou 20 quilogramas e, em termos de acidentes, se embaterem numa aeronave tripulada os danos podem ser tremendos", alertou o professor.

Atualmente a coordenar a investigação no Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC, o professor explica que nesta altura não há uma solução imediata para limitar a operação deste tipo de aparelhos.

"Existem técnicas e condições para se desenvolver o equipamento apropriado para inibir ou limitar a operação de drones perto de aeroportos", garante Eduardo Silva, alertando que não há para já qualquer solução "chave na mão".

No futuro próximo, "daqui a dois anos", poderá ser possível, depois de testar tecnologias, encontrar uma solução.

  COMENTÁRIOS