
José Mota/Global Imagens
A Feira da Vandoma interrompe hoje para as festas de São João. Daqui a um mês volta a haver feira. Com a ameaça de ser deslocada para o Cerco. Os vendedores estão contra.
O rio Douro e as pontes emolduram o cenário da Feira da Vandoma. É um quadro de luxo, este das Fontainhas, que faz também parte dos roteiros turísticos.
A feira está carregada de gente e, por isso, é consensual a posição de José Afonso, que aqui vende há 26 anos: ninguém quer ir para o Cerco. "Lá não tem nem metro, nem central de camionagem, nem comboios, nem turistas, nem nada", diz, concluindo que "é preferível acabar com a feira do que passar para lá".
A Câmara do Porto alega, para a mudança, o incómodo para os moradores causado pelo ruído. Os feirantes dizem que o problema está mais abaixo, na zona onde, nos últimos tempos, chegaram novos vendedores a ocupar lugares não pagos.
É o caso de Cecília Costa, que garante, no entanto que "não há barulho absolutamente nenhum". "Sabemos que as pessoas têm direito ao seu descanso", acrescenta, afiançando que isso é respeitado.
Cecília era esteticista. Agora tenta fazer algum dinheiro na feira. Vem de véspera. Passa aqui a noite. "Por causa do desemprego", diz. Chega às 20h30 de sexta-feira para guardar lugar para sábado. Ela e muitos outros. Garante, no entanto, que ninguém faz barulho. Que quando alguém se distrai, os outros chamam a atenção. Já pediu que lhe seja atribuído um lugar vago na feira, para deixar de ser vendedora clandestina, mas ainda está à espera da autorização da câmara.
Manuel Jesus, que vende no outro lado da feira, diz que é preciso arranjar uma solução, "porque há muitos lugares na feira que estão desocupados e a câmara consegue colocar muita gente aqui".
Há sempre alternativas, atiram os feirantes, que se dizem dispostos até a ajudar a autarquia a pagar um reforço de policiamento nesta que já foi há muito tempo conhecida como a "feira dos aflitos".
Agora, dizem eles, têm motivo para estarem novamente aflitos.