
Estamos no dia do lançamento, simultâneo em todo o mundo do novo Ásterix. É a aventura número 35 e a primeira sem a assinatura de qualquer um dos criadores, depois da morte do argumentista Rene Goscinny.
O novo álbum "Astérix entre os Pictos" é da autoria de Didier Conrad e Jean-Yves Ferri. A TSF desafiou o diretor do festival de Banda de Desenhada da Amadora a ler o novo Ásterix e esta manhã partilhou connosco a impressão com que ficou. Nelson Dona diz que o resultado é bom.
«Tem uma visão renovada do Astérix, mantém todas as personagens na sua essência, mantém o rigor e a qualidade gráfica», adianta Nelson Dona, considerando que a narrativa está diferente com menor profundidade e menos duplas leituras.
«Mas é um argumento muito interessante e divertido», explica.
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A Escócia antiga é o cenário para o novo álbum das personagens de banda desenhada Astérix e Obélix, no álbum "Astérix entre os Pictos".
Este é o 35.º álbum de BD protagonizado pelos famosos habitantes de uma imaginária aldeia de gauleses, no tempo dos romanos, mas é o primeiro a sair sem a autoria dos fundadores: René Goscinny e Albert Uderzo, apesar de este ter supervisionado toda a história.
"Astérix entre os Pictos" é assinado por Jean-Ives Ferri (argumento) e Didier Conrad (ilustração) e a história passa-se na antiga Escócia, com os gauleses a conhecerem os Pictos, povo guerreiro local.
Pouco se sabe sobre a história, a não ser que inclui referências culturais, como o uso de kilt e o mito do monstro de Loch Ness.
No mercado francófono, o novo livro terá uma tiragem de 1,8 milhões de exemplares, mas a editora Hachette, que contratou os dois novos autores para a elaboração do álbum, conta atingir a marca dos cinco milhões de exemplares em todo o mundo.
Em Portugal o livro sairá pela Asa, do grupo Leya.
Todos os volumes editados em Portugal venderam, segundo dados da editora, cerca de três milhões de exemplares.
No começo de outubro, quando o livro foi apresentado em Paris, Jean-Ives Ferri disse que tentou respeitar "o ritmo e o jogo de palavras" dos fundadores da série, enquanto Didier Conrad reconheceu que teve de imitar os traços originais de Uderzo.
Albert Uderzo, de 86 anos, retirou-se da série em 2011, alegando algum cansaço, mas acabou por reconhecer que as personagens mereciam continuar a viver.
Jean-Ives Ferri (Argélia) e Didier Conrad (França) nasceram em 1959, o ano em que Uderzo e Goscinny revelaram Astérix na revista Pilote.
O primeiro livro, "Astérix, o gaulês", no entanto, só saiu em 1961, dando início a uma das mais bem sucedidas séries de banda desenhada, com mais de 350 milhões de livros vendidos em todo o mundo e traduzidos para mais de uma centena de idiomas, incluindo o português e o mirandês.
A parceria entre Uderzo e Goscinny terminou em 1977, com a morte do argumentista, mas o nome de ambos foi sempre mantido na assinatura das histórias.
Astérix é um pequeno gaulês de bigode farfalhudo que tem como grande amigo Obélix, personagem desajeitada e com uma força desmesurada, que carrega menires e adora comer javalis. Ambos são habitantes de uma invencível aldeia que teimosamente resiste às investidas militares dos romanos, por conta de uma famosa poção mágica inventada pelo druida Panoramix.
Entre as personagens que povoam o imaginário criado por Uderzo e Goscinny contam-se ainda Abraracourcix, o chefe da aldeia, e o bardo Assurancetourix.