Paulo Ribeiro não se lembra de um dia em que tenha entrado em palco como bailarino sem dores. Agora que é coreógrafo, está pessimista em relação à resolução dos problemas dos bailarinos.
O coreógrafo Paulo Ribeiro considerou que «só é bailarino quem é um pouco louco e inconsequente neste país porque não há proteção» para esta profissão «marginal».
Questionado sobre se acredita em melhoras para a resolução dos problemas dos bailarinos, Paulo Ribeiro responde que «de certa maneira, já perdemos o comboio».
«Acho que a conjuntura atual é péssima para que este tipo de coisas se resolvam. Ainda por cima, ma sensibilidade das pessoas que nos governam é nula em relação a este tipo de coisas», acrescentou.
O criador da companhia Paulo Ribeiro, em Viseu, lembrou que um bailarino termina a sua carreira aos 40/45 anos e que é raro que não haja problemas de saúde nesta profissão.
«É raro haver bailarinos que não tenham hérnias discais que não tenham problemas joelhos e muitos foram operados aos joelhos muitas vezes», recordou.
Paulo Ribeiro descreve mesmo os bailarinos como «anjos, porque têm uma estrutura e resistência interior muito grande, porque por dentro o corpo sofre».
«Só mesmo a cabeça é que consegue aguentar com muita determinação, coragem e muita capacidade de sofrimento uma carreira destas», concluiu este coreógrafo, sobre uma profissão onde muitos trabalham sem o estatuto dado aos atletas de alta competição.