
«Morro da Favela», de André Diniz
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O premiado autor brasileiro André Diniz publica este mês, em Portugal, a banda desenhada «Morro da Favela», livro de memórias sobre o fotógrafo Maurício Hora, que é também um retrato da primeira favela criada no Brasil, o Morro da Providência.
Na novela gráfica, publicada originalmente em 2011, André Diniz recupera as memórias do "fotógrafo favelado" Maurício Hora, que viveu naquele bairro no Rio de Janeiro, mas o autor quis sobretudo «contar uma boa história», sempre em torno do ser humano, disse à agência Lusa.
André Diniz, 37 anos, explica que a história do fotógrafo brasileiro foi um pretexto para abordar a vida numa favela, que está «muito perto e muito longe» dos brasileiros.
Nas encostas do Morro da Providência nasceu, há mais de cem anos, uma favela com milhares de habitações encaixadas umas nas outras e é o quotidiano dessa comunidade, marcado pela droga e pela violência policial, que André Diniz regista em pranchas e vinhetas.
«Morro da Favela» valeu a André Diniz vários prémios, foi traduzido para inglês e francês e agora, na edição portuguesa, com selo da Polvo, apresenta uma capa diferente, texto revisto, fotografias de Maurício Hora e desenhos de vários autores brasileiros, nomeadamente Pablo Mayer, Magno Costa e Will.
Com traço carregado e anguloso, a preto e branco, muito inspirado na xilogravura e na obra do brasileiro Flavio Colin, «Morro da Favela» é considerado um dos melhores exemplos do trabalho de André Diniz enquanto argumentista e desenhador. Atualmente trabalha numa adaptação para banda desenhada, sem texto, do romance "O Idiota", de Dostoievski.
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