Consórcio inventa colchão inteligente para cuidar de doentes acamados
O Hospital da Covilhã classificou hoje como uma importante inovação o protótipo de um colchão inteligente, que avisa quando está na hora de mudar a posição de doentes acamados.
O equipamento inventado na Universidade da Beira Interior (UBI) esteve em testes durante meio ano e é destinado a unidades de cuidados continuados e lares de idosos.
Um dos maiores riscos para a saúde de pessoas acamadas «é o aparecimento de úlceras de pressão» provocadas pelo peso em determinadas partes do corpo quando não mudam de posição, explicou à agência Lusa, Miguel Castelo Branco, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB).
As úlceras «podem infetar e são muitas vezes causa de morte precoce nestes doentes», destacou.
De acordo com os dados recolhidos durante os testes, o colchão «será um avanço importante para as prevenir», pois sempre que alguém esteja tempo demais na mesma posição, os sensores disparam alertas.
O aviso é enviado através de um emissor sem fios para um computador, que pode fazer piscar um ecrã, lançar sinais sonoros ou fazer tocar um telemóvel.
O colchão distingue-se dos demais devido a um tecido eletrotêxtil inventado na UBI, feito de lã da Quinta de São Cosme, na Serra da Estrela, entrançada com fios de aço e recheada de minúsculos sensores que detetam movimentos.
«Parece um tecido como qualquer outro, com diferentes camadas, mas está ligado a um emissor» que envia os sinais para o sistema informático, explica Carla Mendes, operacional do projeto Medtex.
A processar os sinais está um programa criado pelo INOV, estrutura do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, que permite controlar os tempos de mudança de posição de vários utentes, bem como seguir o respetivo padrão de movimentos.
No ecrã do computador de controlo, uma mancha azul por cima de um retângulo (que corresponde ao colchão) vai mudando de intensidade à medida que a pessoa se mexe.
O consórcio promotor já foi contactado por empresas interessadas no projeto e «parece que tem futuro em diversos nichos de mercado», não só pela inovação que incorpora, mas também por ter custos relativamente baixos, refere Carla Mendes.
Seja como for, até que o colchão inteligente se transforme em ideia de negócio «há ainda diversas características que podem ser melhoradas» antes de se avançar para a eventual produção em série.