
D. José Policarpo
O cardeal patriarca de Lisboa apontou hoje o facto de as misericórdias terem sido obra de leigos como uma das suas características «mais belas» e considerou «bom sinal» que, em tempo de crise, surjam mais obras sociais.
«As misericórdias têm uma característica muito querida e bela" que reside no facto de terem sido criadas por "cristão leigos que, no meio do mundo, sentiram que precisavam de ser organizar para ajudar os seus irmãos», afirmou hoje o cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, numa homilia comemorativa dos 450 anos da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça.
«Normalmente estas grandes organizações têm por trás o dedo clerical, mas com as misericórdias não foi assim», o que fez desta instituição «uma das coisas mais bonitas da nossa história», realçou o cardeal patriarca de Lisboa perante dezenas de fiéis que assistiram à missa no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.
Uma tendência que, em tempo de crise, «começa a acontecer outra vez», sublinhou aludindo ao exemplo do um lar de antigos médicos e funcionários do Hospital de Santa Maria.
«É mais um grupo de leigos que criou uma associação civil que leva para a frente um projeto de verdadeiro amor cristão», entendido pelo cardeal como «um sinal de esperança» e de que «os leigos têm consciência de que se podem organizar» e desenvolver obras sociais, cada vez mais necessárias em tempo de austeridade.
A homilia ficou ainda marcada pela entrega ao Cardeal Patriarca de uma medalha comemorativa dos 450 anos da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça, da autoria do escultor José Aurélio, com a inscrição «450 anos a dar bons conselhos a quem pede».