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O aumento do número de casos de pessoas alérgicas a carne vermelha depois de uma mordida de carraça está a convencer cada vez mais a comunidade científica que a relação causa-efeito existe mesmo. Em Long Island, Nova Iorque, foram registados 200 casos nos últimos três anos.
"Amblyomma americanum". Assim se chama a espécie de carraça que está na origem destes casos em que comer um simples hambúrguer tem levado pessoas ao hospital com complicações sérias.
Depois de picadas estas pessoas ganharam alergia a este tipo de alimento, conforme noticiou o canal de televisão norte-americano NBC.
Louise Danzig, de 63 anos, desenvolveu a alergia. Em entrevista ao canal, afirmou que não sabia que tinha sido picada por uma carraça, mas quando comeu um hamburger teve uma alergia tão forte que afetou as vias respiratórias. No hospital ficou a saber do diagnóstico.
A descoberta deste problema não é de agora, mas ultimamente os casos têm aumentado nos Estados Unidos, principalmente em Long Island, no estado de Nova York, onde nos últimos três anos uma só médica diagnosticou duas centenas de pessoas.
O parasita em causa tem uma substância chamada galactose-alfa, um tipo de açúcar que pode ser encontrado nas carnes vermelhas e em produtos com leite.
Normalmente, a galactose é inofensiva. Mas quando a substância entra no organismo através de uma picada de carraça, o corpo desenvolve anticorpos contra o invasor. Depois disso, qualquer ingestão de carne ou leite provocará uma reação do sistema imunológico.
Os médicos não sabem, por agora, se essa alergia é permanente ou passará após algum tempo. O tratamento é feito à base de anti-histamínicos ou adrenalina, nos casos mais graves.
Para além desta espécie de carraça, os cientistas acreditam que há outras que também podem causar alergias, pois há casos semelhantes na Austrália, França, Alemanha, Suécia, Espanha, Japão e Coreia.