
Caramulo, Viseu
TSF/Amadeu Araújo
Há seis meses, o Caramulo era pasto de um dos maiores fogos do Verão. Ainda com as chamas por apagar, choveram promessas. Há um mês o Governo garantiu que a ajuda estaria disponível mas o dinheiro ainda não chegou à serra.
As mazelas do grande incêndio do Caramulo estão por toda a serra e nas algibeiras de quem lá vive. No Caselho, Almiro Ferreira foi à Junta de Freguesia dar conta dos prejuízos mas ainda hoje não sabe do que vai viver. Eucaliptos e abelhas foram na voragem das chamas e não há meio de voltarem.
Outra encosta, outro concelho e outro nada. Na Bezerreira, os 82 anos de Rosalina Antunes não escondem as lágrimas. Da prometida ajuda só vieram materiais para recuperar a casa levada pelo fogo. Não fora a autarquia de Oliveira de Frades e ainda não teria casa.
O autarca de Tondela reconhece à TSF as queixas das populações. António Jesus diz mesmo que os maiores prejudicados pelo fogo ainda não viram qualquer ajuda.
Nos 9415 hectares de área ardida da Serra do Caramulo pouco foi feito depois do fogo. Algumas estradas e aquedutos estão a ser, pontualmente, intervencionados e há agora outro problema.
Os deslizamentos de terras provocados pelas chuvas e acelerados pela retirada das árvores queimadas. As populações esperam, de alma dorida e bolsos vazios, pela prometida ajuda.
Os concelhos de Águeda, Tondela, Oliveira de Frades e Vozela esperam receber financiamento do Fundo de Emergência Municipal para recuperar equipamentos e infra-estruturas municipais danificados pelos incêndios da Serra do Caramulo.
Tondela é o concelho que vai receber a maior fatia, com 581 mil euros. Vouzela tem uma comparticipação de 89 mil euros; Águeda conta com 30 mil euros e Oliveira de Frades recebe 28 mil euros.
No terreno, o pouco que foi feito partiu dos municípios, garantiu à TSF o presidente da Câmara de Vouzela. Rui Ladeira avisa que este atraso pode por em risco a reflorestação da serra.