
Os cinemas da China cancelaram hoje todas as sessões do filme "Django Libertado", precisamente na data da sua estreia no país, informaram os meios de comunicação locais.
A China censura quaisquer filmes que possuam temáticas sexuais ou políticas, limitando também a distribuição de filmes estrangeiros para proteger a indústria nacional.
Segundo refere o portal na Internet da companhia chinesa 'Sina', que cita um comunicado emitido às distribuidoras de cinema na China, o filme de Quentin Tarantino teve as suas exibições canceladas em todo o país devido a «razões técnicas».
"Django Libertado", protagonizado por Jamie Foxx, Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio, conta a história de um escravo norte-americano libertado que, apoiado por um caçador de prémios, procura resgatar a sua mulher do dono de uma plantação.
[youtube:eUdM9vrCbow]
Utilizadores chineses do serviço de publicação de texto Sina Weibo afirmam que o tema «perigoso» dos oprimidos a lutarem contra o poder provocou a interrupção da exibição do filme, no qual o protagonista «era continuamente subjugado e escravizado, mas deu uso a uma arma para se insurgir em nome do amor e da liberdade».
As regras de censura do governo chinês não são conhecidas, mas retratos negativos de políticos contemporâneos costumam ser banidos, tal como as temáticas que o Governo acredita poderem criar agitação social.
No entanto, graças à crescente pirataria na China, os fãs de Quentin Tarantino conseguiram ver a versão original do filme "Django Libertado" na Internet, mesmo antes da sua estreia nos cinemas.
A China confina o número de filmes estrangeiros estreados no país a 34 por ano, mas apesar de terem competido contra 893 filmes locais no ano passado conseguiram obter 51% dos 17 mil milhões de yuans (cerca de dois mil milhões de euros) das receitas de mercado.