
José Luis Sampedro
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O escritor catalão José Luis Sampedro morreu na segunda-feira, aos 96 anos, em Madrid. Defensor de uma economia «mais humana e solidária, foi reconhecido, em 2010, com a Ordem das Artes e Letras de Espanha.
Por expresso desejo do autor, a notícia da sua morte não se conheceu até hoje porque ele queria «ir» de «forma simples e sem publicidade», disse à Efe a viúva Olga Lucas, com quem se havia casado em 2003.
O corpo do escritor foi cremado hoje de manhã no cemitério de La Almudena, em Madrid, apenas na presença da família e de amigos próximos.
Sampedro tinha recentemente escrito o prólogo do livro do político e ensaísta francês Stephane Hessel, que faleceu em fevereiro último.
José Luis Sampedro foi galardoado em 2011 com o Prémio Nacional de Letras, outorgado pelo Ministério da Cultura espanhol, em reconhecimento pela sua trajetória literária e considerado o mais prestigioso das letras espanholas depois do Cervantes.
Humanista e economista, Sampedro defendeu uma economia «mais humana, mais solidária, capaz de contribuir para desenvolver a dignidade dos povos» e em 2010 foi reconhecido com a Ordem das Artes e Letras de Espanha pela sua «destacada trajetória literária e pelo seu pensamento comprometido com os problemas do seu tempo».
Sampedro «conseguiu saltar as barreiras geracionais», como escreve hoje o El Pais, e proclamou-se nos últimos anos «em estandarte do desencanto juvenil em Espanha».
«O intelectual manifestou o seu desejo de morrer como tinha vivido, sem estridências, sem ruído, pelo que não se celebrará nenhum ato de homenagem», refere o jornal.
Sampedro nasceu em Barcelona, viveu até aos 13 anos em Tanger (Marrocos). Em 1936, então a trabalhar em Santander, é mobilizado pelo exército republicano para a Guerra Civil, acabando por desertar para se juntar ao "bando nacional".
As atrocidades da guerra afastaram-no dos dois, lados mas alimentaram a sua obra, nomeadamente o segundo livro, «La sombra de los dias», escrita em 1945 e publicada nos anos 1990.
«Octubre, octubre» (1981), «La sonrisa etrusca» (1985), «La vieja sirena» (1990), «Real Sitio» (1993), «El amante lesbiano» (2000), «Escribir es vivir» (2003), «La senda del drago» (2006), e «La ciencia y la vida» (2008) são as suas obras mais conhecidas.