
Global Imagens/ Rui Manuel Ferreira
Começa esta tarde, em Vinhais, no distrito de Bragança, a 35ª edição da Feira do Fumeiro, onde são esperados milhares de visitantes. Todos os anos, são transacionadas toneladas de fumeiro, que se traduzem numa receita económica importante para a região. 35 Anos depois, a TSF foi conhecer uma expositora que esteve presente em todas as edições da feira.
Vera Alves foi à primeira feira em 1981. «Fui, por acaso fui ainda não faltei a nenhuma». Tinha quase quarenta anos e foi a pedido do presidente da câmara da altura. Para vender levou muito pouco. «Só levei dois ou três chouriços. A gente pedia muito para não vender porque tínhamos poucos. A gente matava um porquinho, dois, mais nada». Nessa primeira edição eram pouco mais de meia dúzia de expositores e outros tantos a comprar o que valia era o que a câmara dava acrescenta Vera Alves, «davam 100 escudos, a gente ia toda contente».
35 anos depois, «tudo mudou» diz Vera Alves. Este ano em vez de um quilo de salpicões, leva um pouco mais e diz que se vende tudo. «Agora a gente leva porque agora mata muitos porcos. Eu, por acaso, este ano só matei seis. O ano passado o que levei, vendi tudo».
A feira transformou-se num evento de referência nacional. Com 74 anos Vera Alves faz fumeiro todo o ano, numa cozinha regional na aldeia de Nunes. Tem clientes fixos de todo o país. Venceu duas vezes o prémio de melhor salpicão e explica que o segredo está mesmo na tradição.
«Eu faço como fazia a minha avó, "botava-lhe" vinho, "botava-lhe" loureiro, o alho. A gente vai mexendo sempre durante três dias aquela carne. Parte-se muito miudinha sem bocados grandes e depois o segredo é encher, tem que se atacar bem porque se a gente não calca bem, claro que não une a "chicha"... eu só tenho este segredo!».
E é com ele e com o mesmo espírito de sempre que vai feirar, pela 35ª vez, na Feira do Fumeiro de Vinhais.