"Há alguns escritores a quem eu me sinto infinitamente grato e compro de olhos fechados"

Global Imagens/ Arquivo
A pretexto do concurso lançado pela APEL para eleger a livraria preferida dos portugueses, a TSF foi conhecer a livraria preferida de Carlos Tê: a Almedina, no Arrábida Shopping. Acha estranho? Fique a saber a razão da escolha.
Carlos Tê vai namorando os livros. Vem muitas vezes à livraria só para lhes deitar o olho, afagar a capa, cheirar as páginas. "A minha capacidade aquisitiva é muito superior à minha capacidade de leitura", revela.
Deixou praticamente de comprar discos ("Seguramente compro muito menos do que comprava há pouco tempo"), continua a comprar livros ("A sanha consumista e aquisitiva tapa aquela consciência mais ou menos velada de que não vai ser possível ler"), vê muitas séries na televisão ("Chego a ter a box abarrotar"), futebol ("É uma maneira de descansar a cabeça com aquela banalidade do futebol) e é fã de cinema.
É essa, aliás, a ponte que nos traz aqui à Almedina no Arrábida Shopping. "Como venho aqui muitas vezes ao cinema, passo aqui na Almedina para fazer tempo e é aqui que compro grande parte dos meus livros".
Depois de entrarmos , até parece que nos esquecemos que estamos num shopping. A Almedina, sublinha, "preserva um pouco daquela atmosfera da proverbial livraria, um tempo suspenso de recolhimento". É quase uma "pequena basílica onde as pessoas são convidadas a uma espécie de recolhimento". Isto "apesar da musiquinha de fundo".
O escritor e letrista de músicos como Rui Veloso di-lo quase em forma de queixa. Já não nos livramos da música de fundo em lado nenhum. Hoje, Carlos Tê não vai comprar nada, vai só namorar, sendo que há alguns escritores que já nem precisam de o cortejar. É casamento direto: "Há alguns a quem eu me sinto infinitamente grato e compro de olhos fechados e, mesmo que seja mau, eu compro sempre, porque sinto que estou em dívida para sempre".
Numa livraria, também se pode fazer contas da infinita gratidão.