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Maiores pensões e melhores cuidados de saúde para idosos são algumas das recomendações. O estudo alerta ainda para a excessiva dependência do Estado das instituições de solidariedade social.
Um estudo do Conselho Económico e Social (CES) defende a necessidade de «políticas e reformas» que assegurem ao mais idosos o acesso a «pensões adequadas» e a cuidados de saúde, «sem constituírem um peso insustentável para as gerações futuras».
«A compatibilização entre a prioridade da sustentabilidade financeira do país e as crescentes necessidades de largas camadas de idosos constitui uma preocupação política da primeira importância», refere o estudo «Envelhecimento da População Portuguesa: dependência, ativação e qualidade».
O estudo adverte que o aumento da esperança média de vida, associado à diminuição das taxas de fertilidade, conduzirá os países europeus a enfrentar, nas próximas décadas, um aumento considerável da proporção das pessoas mais idosas no conjunto da população, a par de um largo declínio do peso da população trabalhadora.
A UE passará de uma situação em que tinha quatro pessoas em idade ativa por cada pessoa com idade acima dos 65 anos para um rácio de apenas duas pessoas em idade ativa para cada uma acima dos 65 anos.
«O decréscimo da força de trabalho representará também uma diminuição do crescimento económico potencial, ao mesmo tempo que aumentará, com base nas atuais políticas, a despesa relativa aos sistemas de pensões, saúde e cuidados a longo prazo», vinca o estudo.
O envelhecimento constituirá uma pressão substancial nas finanças públicas, nos sistemas de segurança social, nos mercados de trabalho e em várias outras áreas de política pública, sustenta.
Como prioridades de intervenção das políticas públicas na esfera do envelhecimento ativo, o estudo destaca a relação entre pobreza e saúde, o impacto da situação socioeconómica no envelhecimento, a redução da dependência e da discriminação em relação a todas as idades e a proteção social.
Os impactos decorrentes do envelhecimento nas políticas sociais já foram identificados pelas autoridades portuguesas e internacionais, tendo sido delineadas propostas de ação na União Europeia.
«Em Portugal, estas estratégias estruturais devem ter em conta as restrições conjunturais decorrentes da aplicação do Programa de Assistência Financeira bem como os respetivos efeitos nos rendimentos das famílias, afetando, assim, também as populações mais idosas", adianta o estudo.
Os autores do estudo defendem que, para que o prolongamento da vida ativa seja atrativo e compensador para os trabalhadores mais idosos, deverão ser adotadas medidas, tanto do lado da oferta como do lado da procura, numa lógica de cooperação entre governo, empregadores, sindicatos e sociedade civil.
Nesse, salientam, «são necessárias políticas e reformas de modo a assegurar que os mais idosos tenham acesso a pensões adequadas e a cuidados de saúde, sem constituírem um peso insustentável para as gerações futuras».
Advertem ainda que «recusar os contributos dos muitos idosos, a todos os níveis, constitui um erro extravagante e de custo social, económico e financeiro elevado, num período de crise e num contexto europeu muito difícil, senão imprevisível».