Morreu Samuel Pisar, um dos mais jovens sobreviventes dos campos de concentração nazis

UNESCO / Direitos Reservados
Dedicou a vida a lembrar o que foi o Holocausto nazi e escapou à morte nos campos de extermínio quando tinha 16 anos. O enviado especial da UNESCO para o Holocausto morreu em Nova Iorque aos 86 anos.
Tinha 16 anos quando saiu do campo de concentração de Dachau. Antes, tinha estado noutros dois: Majdanek e Auschwitz.
Em 2012, quando foi nomeado embaixador honorário da UNESCO e enviado especial para o Holocausto, Samuel Pisar recordou o cativeiro nazi como um horror "total e absoluto" do qual fisicamente saiu ileso mas que deixou marcas. "Saí dele intacto" dizia o advogado, mas "hoje há duas pessoas que coabitam dentro de mim. O rapaz sub-humano de 14, 15, 16 anos que passou pelo inferno e o homem de negócios que vive num universo diferente".
Samuel Pisar nasceu na Polónia há 86 anos. Perdeu quase toda a família em vários campos de concentração. Um período que recorda no livro de memórias "O Sangue da Esperança" mas também ao fundar museus sobre o Holocausto, como o Yad Vashem em Jerusalém e o Memorial Shoah em Paris. Explicava a razão para o fazer: "Nós os sobreviventes estamos a desaparecer um a um, em breve a História vai falar através da voz impessoal dos investigadores e dos escritores. Mas também, e isso é muito mau, com a voz dos demagogos e dos negacionistas. Assim temos que manter a memória viva. Não apenas para lamentar os mortos mas também para avisar os vivos".
Um alerta para evitar que a história se repita já que "o inimaginável, o impensável", pode acontecer outra vez. Por isso, "a lembrança do Holocausto e tudo o que ele implica é importante para toda a humanidade".
Samuel Pisar tornou-se um conhecido advogado e escritor. Nos anos de 1960, foi ainda conselheiro do Presidente americano Kennedy para o comércio internacional.
Em França, onde também viveu, foi condecorado com a Legião de Honra, o mais prestigiado galardão honorífico do país.