
TSF/Maria Augusta Casaca
Deonilde Batista, 66 anos, garante que já na barriga da mãe era mariscadora, porque esse já era o ofício de quem a gerou.
Estudou até à 3ª classe, depois teve que ir trabalhar Para ajudar a sustentar uma família de nove irmãos.
Faça sol ou chuva, Deonilde Batista levanta-se todos os para ir apanhar ameijoa nos viveiros da Ria Formosa, onde as marés comandam o seu ritmo de trabalho.
«Eu tanto me levanto às 4 horas da madrugada, como às 5 ou às 6. Quando está a maré baixa, tenho que ir apanhar ameijoa. Levo um cesto e a faca, são os meus instrumentos de trabalho».
Casada com um pescador da sardinha, quando não vai ao mar, tarefas não lhe faltam em terra, diz Deonilde «arranjo redes, faço tudo. Tudo o que seja mar e marisco, é comigo», garante.
Quando ouve a ministra Assunção Cristas dizer que o futuro está nas pescas Deonilde Batista solta um desabafo, «entra-me por um ouvido e sai-me por outro». E depois explica o porquê desta observação, «porque os pescadores vendem às vezes o peixe tão barato que não dá para o seu sustento».
Os sustos no mar também fazem parte da vida de Deonilde. Já apanhou alguns, mas esta mariscadora garante que só deixará de ir à pesca quando o corpo já não permitir.