
Cinemateca Portuguesa
Global Imagens/Sarah Costa
A Cinemateca Portuguesa vai dedicar toda a programação de janeiro ao lado menos conhecido do seu trabalho, a conservação e restauro do arquivo.
Ao longo do mês estão previstos, em Lisboa, cerca de 130 sessões de cinema e alguns colóquios, para discutir os problemas do lado invisível da Cinemateca para o grande público.
O sub-diretor José Manuel Costa disse à agência Lusa que a Cinemateca se tem debatido, nos últimos anos, com vários «problemas estruturais», de ordem técnica e financeira, que têm afetado os arquivos e a atividade de conservação e restauro, sobretudo numa fase em que se transita do analógico para o digital.
Estão previstos quatro debates em torno do património fílmico de uma cinemateca, ciclos de filmes, sobre a história do cinema e a História de Portugal, e visitas guiadas ao ANIM, o centro nevrálgico dos arquivos da Cinemateca.
O sub-diretor do Museu do Cinema traçou um cenário de dificuldades em 2012, que também é previsível para 2013, tendo em conta a forte quebra da receita global da Cinemateca.
«Comparando com a década anterior, a Cinemateca teve um corte de 50 por cento», disse, e isso reflete-se, por exemplo, na falta de capacidade financeira para dotar de prateleiras os novos cofres de arquivos do ANIM, em Bucelas, tendo em conta que os depósitos antigos estão já com capacidade esgotada.
«Num momento de reconversão tecnológica grande, a Cinemateca não tem, por exemplo, uma máquina para ler os materiais que nos estão a chegar em digital 2k, o chamado padrão 'Digital Cinema Package'. O desenvolvimento da base de dados está suspenso porque não há dinheiro para a reconversão», sublinhou.