
The Guardian/Hulton-Deutsch Collection/Corbis
A mensagem para mãe de um oficial britânico foi reproduzida pelo Royal Mail. A missiva descreve um aperto de mãos com o inimigo e a vontade de uma nova trégua para ver como ficaram as fotografias partilhadas por alemães e britânicos na Primeira Guerra Mundial.
Foi escrita há 100 anos no frio serrado das trincheiras, na linha da frente da Primeira Guerra Mundial. A carta de Alfred Dougan Chater, um oficial do exército britânico, para a mãe descreve detalhes vividos durante uma curta trégua de Natal. Os soldados inimigos pousaram as armas e celebraram o espírito da época em conjunto.
Alfred relata, nesta missiva, o momento em que os homens se reuniram em terra de ninguém. Houve troca de lembranças e charutos para marcar o momento destas tréguas improvisadas. A carta centenária veio agora a público. O Royal Mail reproduziu o seu conteúdo, com a permissão da família do soldado, primeiro para marcar a data do seu envio e também como forma de enaltecer o papel dos serviços de correio durante a Primeira Guerra Mundial.
A carta tem a data de 25 de dezembro de 1914 e é assinada com "Dougan". Começa assim «Querida mãe, estou a escrever esta carta nas trincheiras junto a uma pequena fogueira e muita palha».
Continua o soldado, «acho que vi hoje um dos locais mais extraordinários que alguém pode ver. São perto das 10 horas, eu estava a espiar por cima do parapeito quando vi um alemão a agitar os braços. Dois saíram da trincheira e vieram na nossa direção».
«Nós estávamos prontos para disparar contra eles quando reparamos que eles não tinham armas. Um dos nossos homens foi ao encontro deles e passados dois minutos a zona entre as duas trincheiras estava cheia de homens de ambos os lados, a apertarem as mãos e a desejar um Bom Natal».
«Isto continuou durante meia hora, Depois recebemos ordens para voltar às trincheiras. Durante o resto do dia ninguém disparou um único tiro e os soldados foram "passeando" à vontade em cima do parapeito da trincheira a transportar palha e lenha. Também enterramos soldados, uns alemães outros nossos, cujos corpos estavam entre as duas linhas de guerra».
Alfred Dougan Chater escreve, na carta à mãe, que deu apertos de mão a vários oficiais alemães, trocaram cigarros, autógrafos e alguém tirava fotografias do momento.
«Não sei quanto tempo isto vai durar. De qualquer forma estamos novamente em tréguas, no dia de Ano Novo, porque os alemães querem ver como ficaram as fotografias».
Chater foi mais tarde promovido a capitão. Em março de 1915 ficou gravemente ferido durante uma batalha. Sobreviveu, mas ficou inválido. Casou em 1916 e faleceu em 1974, na localidade de Henley, Oxfordshire.
O seu neto, Simon Chater, disse em entrevista ao jornal The Guardian que as suas cartas são «um testemunho muito eloquente e maravilhoso».
As cartas que enviou à família só conheceram a luz do dia quando o avô morreu.