Sobreviventes, familiares das vítimas e políticos manifestaram hoje a sua satisfação após a leitura do veredito do julgamento de Anders Behring Breivik, autor confesso dos ataques de julho de 2011 na Noruega que fizeram 77 mortos.
O tribunal de primeira instância de Oslo considerou hoje Anders Behring Breivik culpado de terrorismo, condenando o extremista de direita a 21 anos de prisão, uma pena renovável por períodos de cinco anos enquanto o preso for considerado perigoso.
Breivik foi o autor do atentado à bomba contra a sede do Governo norueguês e de um tiroteio na ilha de Utoya, perto de Oslo, a 22 de julho do ano passado. Os dois ataques causaram 77 mortos, na maioria jovens que participavam num acampamento da Juventude Trabalhista, na ilha de Utoya.
Tore Sinding Bekkedal, que sobreviveu ao tiroteio na ilha de Utoya, afirmou estar «aliviado» e admitiu que era esta a sentença que desejava.
Adrian Pracon, outro jovem que escapou com vida ao tiroteio, também afirmou sentir «um grande alívio».
«Quero seguir em frente e este é o primeiro passo», reforçou.
Viljar Hanssen, que sobreviveu depois de ter sido atingido com cinco balas e ter passado vários meses internado, escreveu na sua conta da rede online Twitter: «É o fim. Ponto final».
Os representantes legais das vítimas dos ataques também assinalaram o «alívio» após a leitura da sentença e apelaram ao Ministério Público para não recorrer da decisão judicial, para evitar um novo julgamento.
«O veredito parece ser muito razoável e muito sábio. Estou feliz por ver que os juízes fizeram a sua fundamentação com toda a independência. Muitas pessoas estão aliviadas», indicou uma das advogadas das partes civis, Mette Yvonne Larsen, ao canal TV2.
Também vários membros do Grupo de Apoio Nacional pelo 22 de julho, que integra vítimas dos dois ataques, manifestaram a sua satisfação.
O ministro da Justiça norueguês, Knut Storberget, saudou igualmente a decisão dos juízes do tribunal de Oslo.
«É uma boa base para que o culpado passe o resto da vida preso», afirmou Storberget, também em declarações ao canal TV2.
O secretário-geral da Juventude Trabalhista (AUF, na sigla em norueguês), Eskil Pedersen, admitiu sentir-se «feliz e muito satisfeito», porque a sentença significa um «ponto final» e coincide com os desejos das vítimas e dos familiares.
«Um homem tentou eliminar uma geração da AUF e atingiu-nos com dureza, mas não conseguiu derrotar-nos», reforçou.
Raymond Johansen, o secretário-geral do Partido Trabalhista norueguês, qualificou o veredito como o «resultado mais lógico», uma vez que se trata «de um terrorista de extrema-direita, calculista, que assassinou 77 pessoas».
A própria comunicação social norueguesa também reagiu à sentença de Breivik.
«É uma decisão boa e correta», referiu um editorial do tabloide Verdens Gang, publicado na página da Internet do jornal.
Durante a audiência de hoje, na sala 250 do tribunal de Oslo, alguns familiares das vítimas não conseguiram conter as lágrimas quando foram recordadas as circunstâncias do tiroteio na ilha de Utoya.